Zidan diz que 'nada contra a corrente'

O primeiro-ministro da Líbia, Ali Zidan, disse neste domingo que está "nadando contra a corrente" em um país cheio de milícias e com uma grande quantidade de armas em circulação. Zidan falou a jornalistas em Trípoli no segundo aniversário da derrubada do regime do coronel Muamar Kadafi por forças rebeldes que tinham apoio dos EUA e de seus aliados europeus.

(AE-AP), Agência Estado

20 de outubro de 2013 | 17h38

O primeiro-ministro deu a entrevista dez dias depois de ser sequestrado por milicianos, que o mantiveram detido por algumas horas. O incidente colocou em destaque o poder das várias milícias criadas a partir dos grupos guerrilheiros que derrubaram Kadafi em 2011, ao fim de oito meses de guerra civil. A falta de uma polícia nacional e de um Exército organizado deixou uma sucessão de governos provisórios sem alternativa que não a de depender dessas milícias para manter a ordem. Em dois anos, os milicianos passaram de algumas dezenas de milhares a mais de 200 mil.

As tensões na Líbia se intensificaram depois de 5 de outubro, quando forças especiais dos EUA lançaram uma operação a partir de um navio da Marinha norte-americana na costa líbia para sequestrar Abu Anas al-Libi, suposto membro da organização terrorista Al Qaeda. Os grupos políticos islamitas acusaram o primeiro-ministro Zidan de facilitar o sequestro, o que ele negou várias vezes.

Na entrevista, Zidan acusou dois deputados, Mohammed al-Kilani e Mustafa al-Teriki, como responsáveis pelo sequestro. Os dois, que pertencem ao bloco parlamentar islâmico de linha dura, negaram a acusação e chamaram o primeiro-ministro de "mentiroso".

Zidan também responsabilizou "várias partes" por dificultarem o estabelecimento de forças militar e policial eficazes. Para ele, oficiais reformados do Exército estariam resistindo a mudanças e fazendo o processo de reformas ficar mais lento. "Há pessoas que querem sequestrar o Estado", acrescentou. Há poucos meses, milícias armadas sitiaram as sedes de vários ministérios para pressionar o Parlamento líbio a aprovar a chamada Lei de Isolamento Político, que proíbe altos funcionários do regime de Kadafi de participarem da política.

Também neste domingo, a agência oficial líbia Lana divulgou comunicado do gabinete de governo dizendo que o país está "diante de desafios crescentes na área de segurança, por causa da disseminação de armas".

"Não somos um Estado normal. Estamos no meio das repercussões de uma revolução. Aceitamos o desafio, não porque somos políticos brilhantes ou temos uma varinha mágica, mas porque estamos prontos a enfrentar desafios. O que podemos fazer? A situação está além da capacidade de qualquer um", afirmou Zidan.

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