AP Photo/Ben Curtis
AP Photo/Ben Curtis

Zimbabuanos festejam esperada queda de Mugabe

Militares impedem multidão de se aproximar do palácio presidencial, onde o chefe de Estado está sob prisão domiciliar

O Estado de S.Paulo

18 Novembro 2017 | 13h06

HARARE - Dezenas de milhares de zimbabuanos inundaram as ruas de Harare neste sábado cantando, dançando e abraçando soldados em uma forte demonstração de euforia pela esperada queda do presidente Robert Mugabe, seu líder nos últimos 37 anos.

No entanto, os militares impediram que os manifestantes se aproximassem do palácio presidencial, onde Mugabe se encontra sob prisão domiciliar decretada pelas Forças Armadas. Em protesto, eles se sentaram na calçada, a menos de 200 metros da sede da presidência. 

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As manifestações contra Mugabe, que começaram de forma pacífica na manhã deste sábado, encerram uma semana de crise política sem precedentes no Zimbábue, onde as Forças Armadas tomaram o controle do país e colocaram em prisão domiciliar o chefe de Estado de 93 anos. A intervenção do Exército representa uma guinada no longo reinado de Mugabe, marcado pela repressão de opositores e uma grave crise econômica.

O protesto foi organizado pelos veteranos da guerra da independência – importantes atores da vida política do país – e movimentos da sociedade civil, entre eles o ThisFlag, do pastor Ewan Mawarire, uma das figuras-chave do movimento contra Mugabe reprimido em 2016 pelas forças de segurança.

Os militares estavam presentes nas ruas de Harare, mas, desta vez, os manifestantes os saudavam e apertavam suas mãos. Alguns, até mesmo, tiravam fotos com o chefe do Estado-Maior, o general Constantino Chiwenga, que liderou o golpe de Estado.

Nas ruas da capital, os zimbabuanos mostraram sua emoção ao falar sobre mudanças políticas e econômicas após duas décadas de repressão e dificuldades crescentes.

“Estas são lágrimas de alegria”, disse Frank Mutsindikwa, de 34 anos, segurando a bandeira do Zimbábue. “Estive esperando por este dia por toda a minha vida. Livres enfim.”

Alguns balançavam bandeiras com os dizeres “Não à dinastia Mugabe”, levantando os punhos num sinal de liberdade. Outros abraçavam os soldados que tomaram o poder, gritando “Obrigado! Obrigado!”, em cenas impensáveis uma semana atrás. 

“Estes são os nossos líderes agora”, disse Remember Moffat, de 22 anos, com uma imagem de Chiwenga, e de Emmerson Mnangagwa, o ex-vice-presidente, cuja demissão no início do mês precipitou a intervenção militar. 

“Meu sonho é ver um novo Zimbábue, em toda a minha vida eu só conheci esse tirano chamado Mugabe”, disse Moffat. / AFP e REUTERS

 

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