Zimbábue aceita prestar contas de eleições a países vizinhos

Testemunhas afirmam que homens armados ameaçam eleitores para votar em Mugabe num possível 2.º turno

Agências internacionais,

10 de abril de 2008 | 08h27

O governo do Zimbábue afirmou nesta quinta-feira, 10, que está disposto a participar de uma "avaliação" do processo posterior às últimas eleições do país em uma cúpula regional convocada para o próximo sábado, na capital da Zâmbia. Apesar disso, o jornal britânico The Guardian afirma que homens armados estão ameaçando a população e afirmando que quem não votar no presidente Robert Mugabe num possível segundo turno será morto. A cúpula da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC, em inglês), que reúne os 14 países do sul do continente, foi convocada ontem pelo presidente rotativo da organização, o chefe de Estado da Zâmbia, Levy Mwanawasa. A reunião extraordinária, segundo Mwanawasa, analisará "a maneira de assistir ao povo do Zimbábue" após as eleições de 29 de março e de tentar superar o impasse surgido após o pleito. [A avaliação] "é um procedimento normal", afirmou o ministro da Informação do Zimbábue, Sikhanyiso Ndlovu, em declarações publicadas pelo jornal governamental The Herald, ferramenta utilizada pelo governo de Robert Mugabe para divulgar suas posições. A Comissão Eleitoral se nega a divulgar os resultados das últimas eleições presidenciais, que a oposição afirma ter vencido. Já o partido governante se queixou de erros na apuração e está pedindo a recontagem dos votos. Ameaças Segundo o Guardian, os pacientes de um hospital afirmaram que oito homens armados invadiram o local e ameaçaram cada enfermo que fosse capaz de falar. Pelo menos 70 pessoas estavam no local. "Esta é a sua chance. Você errou quando votou. A próxima vez em que votar, deve ser correto ou você morrerá". Enfermeiras foram retiradas do prédio e motoristas que estavam nas imediações do hospital foram parados e retirados de seus veículos. Um dos homens armados gritava slogans favoráveis ao partido de Mugabe, o Zanu-PF. "Eles alertaram que se as pessoas votasse na oposição, seriam mortas. Eles tinham AK-47, pistolas e armas em seus cintos. O povo está com muito medo", afirmou Sandati Kuratidzi, que é casado com uma médica do local. "Eles afirmaram que dariam um exemplo para cada apoiador da oposição e pediram para que as pessoas apontasse aqueles que seriam opositores, mas ninguém o fez. O comportamento deles foi desumano". O Zimbábue vive um período de tensão após as eleições da semana passada. A oposição ao governo, liderada pelo MDC do líder Morgan Tsvangirai, diz ter vencido as eleições presidenciais, com 50,3% dos votos. Já o partido governista Zanu-PF, do presidente Robert Mugabe, pede uma recontagem dos votos. Mugabe está no poder desde 1980, ano da independência do Zimbábue.  Mugabe, de 84 anos, assumiu o poder há 28 anos, quando o país vivia uma onda de otimismo graças à conquista de sua independência do Reino Unido. Porém, nos últimos anos o país foi castigado com as maiores taxas de inflação do mundo, além da escassez de comida e combustível, o que, segundo correspondentes, fez com que muitas pessoas passassem para o lado da oposição.

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