Zimbábue anuncia segundo turno eleitoral para 27 de junho

Oposição afirma que adiamento do pleito é manobra de intimidação do presidente para se manter no poder

Agências internacionais,

16 de maio de 2008 | 09h24

A Comissão Eleitoral do Zimbábue anunciou nesta sexta-feira, 16, que o segundo turno das eleições presidenciais será realizado em 27 de junho. Estão na disputa o presidente Robert Mugabe e o líder oposicionista Morgan Tsvangirai.   A nova data foi anunciada em nota publicada na edição desta sexta do Diário Oficial do Zimbábue. A oposição insistia que, pela lei eleitoral, o segundo turno deveria ocorrer na próxima semana. Na quarta-feira, porém, o governo prorrogou o prazo para a realização do pleito, determinando que a nova votação deveria ocorrer no máximo em 90 dias.   A legislação estabelece que a Comissão Eleitoral deve convocar o segundo turno dentro dos 21 dias depois que forem anunciados os resultados do primeiro, neste caso em 2 de maio, mas tem atribuições para estender esse período por razões especiais. O MDC afirma que o regime de Mugabe atrasou a convocação da segunda rodada para intensificar sua campanha de intimidação contra aqueles que votaram a favor da oposição no primeiro turno.   O opositor alega ter vencido o primeiro turno, realizado em 29 de março, com margem suficiente para evitar a votação de desempate. No entanto, resultados oficiais mostram que Tsvangirai recebeu mais votos do que Mugabe, mas não em quantidade suficiente para evitar o segundo turno. O partido também denunciou que pelo menos 30 de seus partidários foram assassinados desde as eleições gerais de 29 de março e centenas deles foram detidos.   No primeiro turno, em 29 de março, Tsvangirai, de 56 anos, presidente do opositor Movimento para a Mudança Democrática (MDC), obteve 47,8% dos votos. Mugabe, de 84 anos, líder do partido governante, União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF), ficou em segundo lugar, com 43,2% dos votos. No pleito parlamentar realizado simultaneamente às eleições presidenciais, o partido governante perdeu a maioria na Assembléia e o MDC ficou como a maior força política no poder legislativo.   "A violência tem de acabar para que as eleições sejam conduzidas, caso contrário a votação não será legítima", disse Tsvangirai. O líder da oposição disse à BBC que Mugabe perdeu o controle do país e que o Exército estaria agora no comando. "Mugabe pode ser a figura do líder, mas quem está no controle é o Exército", disse Tsvangirai. Ele também afirmou que o Zanu-PF havia "sondado" o MDC para a possibilidade de um governo de unidade nacional. "Todo conflito termina na mesa de negociações. Nós estamos abertos à idéia, mas certamente não é uma prioridade", afirmou.   Em um discurso ao comitê central de seu partido nesta sexta-feira, Mugabe teria admitido que os resultados do primeiro turno foram desastrosos, mas teria dito que a expectativa para o segundo turno é bem diferente.

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