Zimbábue ataca a Grã-Bretanha em 1o discurso pós-eleição

Em seu primeiro grande discurso desde aspolêmicas eleições de março, o presidente do Zimbábue, RobertMugabe, criticou duramente a Grã-Bretanha, ex-potência colonialdo país africano, afirmando que o governo britânico pagava paraa população voltar-se contra ele. Mugabe, 84 anos, afirmou nesta sexta-feira diante de cercade 15 mil simpatizantes, em um pronunciamento exaltado feitopara marcar o dia da independência do Zimbábue: "Abaixo com osbritânicos. Abaixo com os ladrões que querem roubar o nossopaís." Em uma série de insultos lançados contra a Grã-Bretanha,Mugabe acrescentou: "Hoje eles agem como ladrões que plantamseus lacaios em nosso meio, dando-lhes dinheiro para confundiras pessoas". Mugabe, no poder desde a independência do Zimbábue, em1980, encontra-se sob forte pressão internacional devido àdemora para divulgar o resultado das eleições presidenciais de20 de março, vencidas, segundo a oposição, por MorganTsvangirai, líder do partido oposicionista Movimento para aMudança Democrática, MDC. No entanto, o atual dirigente mostrou-se, como de costume,seguro de si, repetindo o bordão de que o governo britânico enão a oposição representava o verdadeiro inimigo. "Hoje eles aperfeiçoaram suas táticas adotando uma posturamais sutil, usando dinheiro para literalmente comprar aspessoas a fim de que se voltem contra seu governo. Nós estamossendo comprados como se fôssemos cabeças de gado", disse. A demora em divulgar os resultados da eleição presidencialfez surgir várias críticas, incluindo dos EUA e do partidogovernista da vizinha África do Sul. O MDC, responsável por provocar a maior derrota já sofridapelo partido de Mugabe, o Zanu-PF, em uma eleição parlamentar,acusa o dirigente de lançar uma campanha de violência militantea fim de ajudá-lo a clamar vitória em um provável segundo turnocontra Tsvangirai. Segundo Mugabe, o governo interveio para impedir osveteranos da guerra da independência de lançarem açõesviolentas contra fazendeiros brancos que tentariam reocuparterras confiscadas pelo governo nos últimos anos. "O Zimbábue nunca mais será uma colônia. Não retrocederemosnunca", afirmou o presidente, que usava um terno escuro e quediscursou quase exclusivamente em chona, uma das línguas doZimbábue. A Suprema Corte de Harare desferiu mais um golpe contra oMDC, rejeitando a ação proposta pelo partido para evitar umarecontagem dos votos, no sábado, em 23 dos 210 distritoseleitorais do país para o pleito presidencial e parlamentar. A recontagem pode reverter a vitória do MDC no Parlamento.

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