Zimbábue descarta possibilidade de criar governo de coalizão

O Zimbábue rechaçou naterça-feira os apelos para formar uma ampla coalizão de governocomo no Quênia para resolver sua crise interna, afirmando que aúnica solução possível viria "da forma zimbabuana". No domingo, o presidente do país, Robert Mugabe, 84, tomouposse para um novo mandato de cinco anos depois de asautoridades eleitorais terem anunciado a vitória dele por umaampla margem de votos no segundo turno do pleito presidencial,realizado na sexta-feira e do qual apenas o dirigenteparticipou. O processo foi boicotado pela oposição. "O Quênia é o Quênia. O Zimbábue é o Zimbábue. Nós temosnossa própria história de diálogos sucessivos e resolução dosimpasses políticos da forma zimbabuana. A forma zimbabuana nãoé a fmrma queniana. De jeito nenhum", disse a repórteres GeorgeCharamba, porta-voz de Mugabe, em uma cúpula da União Africana(UA) realizada no Egito. "A forma de resolver o problema é uma forma definida pelopovo do Zimbábue, livre de qualquer interferência externa. E éisso exatamente o que resolverá a questão", afirmou. A África do Sul encontra-se perto de obter um acordo pormeio do qual Mugabe e Morgan Tsvangirai, líder oposicionista,negociariam um governo de unidade nacional, disse um jornalsul-africano. A reportagem apareceu no dia em que os líderes de paísesafricanos discutiram a crise do Zimbábue na cúpula da UA,realizada em Sharm El-Sheikh em meio a apelos para que ocontinente condene Mugabe por realizar as eleições em meio auma onda de violência. Os líderes africanos devem pressionar pela realização denegociações com vistas a formar um governo de coalizão entre opartido Zanu-PF, de Mugabe, e o Movimento para a MudançaDemocrática (MDC, na sigla em inglês), de Tsvangirai. Charamba criticou os países ocidentais que conclamaramMugabe a renunciar. "Eles podem ir para o diabo que os carreguem. Ele podem irpara o diabo que os carreguem um milhão de vezes. Eles nãopodem falar nada sobre a política zimbabuana, nada de nada",disse o porta-voz, acrescentando que Mugabe havia conquistado omandato dos eleitores zimbabuanos. "Não se passaram nem mesmo cinco dias, nem mesmo uma semanadesde que o povo zimbabuano se manifestou novamente, e vocês jáestão querendo que ele se afaste?", perguntou. Até agora, só as potências ocidentais impuseram sançõesfinanceiras e de viagem contra o líder zimbabuano e asprincipais autoridades do governo dele. O presidente norte-americano, George W. Bush, descreveu aeleição como uma armação e disse que pedirá pela adoção denovas sanções, incluindo um embargo de armas.

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