Zimbábue diz que debate de crise eleitoral na ONU é racista

Ministro da Informação afirma que discussão é 'sinal de desespero dos britânicos e de seus fantoches do MDC'

CRIS CHINAKA, REUTERS

30 de abril de 2008 | 09h22

O governo do Zimbábue acusou as Nações Unidas nesta quarta-feira, 30, de participar de uma tática "sinistra, racista e colonial" ao debater a crise eleitoral da nação africana, mas minimizou a questão ao dizer que isso não prejudicará o país.  Na terça-feira, numa sessão do Conselho de Segurança, potências ocidentais pressionaram a ONU a enviar uma missão ao Zimbábue, onde ainda não há resultados oficiais da eleição presidencial ocorrida há quatro semanas. O Movimento pela Mudança Democrática (MDC, oposição) diz que seu candidato, Morgan Tsvangiari, venceu o pleito sem necessidade de segundo turno. O partido acusa o presidente Robert Mugabe de segurar os resultados para impedir a vitória da oposição, e alerta que o prolongamento da crise pode gerar um banho de sangue. "Para nós, [a sessão da ONU] é um sinal de desespero dos britânicos e de seus fantoches do MDC. É sinistro, racista e colonial que o Reino Unido tente amarrar todos no apoio à sua agente neocolonial aqui, mas isso vai fracassar", disse à Reuters o vice-ministro da Informação, Bright Matonga. Diplomatas disseram que os participantes europeus e latino-americanos, além dos EUA, apoiaram o envio de uma missão da ONU ao Zimbábue, enquanto a África do Sul, que preside o Conselho neste mês e já tentou sem sucesso mediar a crise política, afirmou que isso não é assunto para o Conselho de Segurança. Mugabe governa o Zimbábue desde 1980, quando o país ficou independente.

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