Zimbábue diz que fracasso das sanções é vitória contra racismo

O Zimbábue saudou no sábado o fracassoda resolução do Conselho de Segurança da ONU, apoiada pelospaíses ocidentais, de lhe impor sanções por causa das violentaseleições presidenciais, o que classificou de uma vitória contrao racismo e a intromissão em seus assuntos. A Rússia e a China vetaram na sexta-feira a resolução, queimporia um embargo em armas para o país do sul da África, alémde restrições financeiras e de viagem ao presidente RobertMugabe e 13 autoridades do país. A Grã-Bretanha afirmou que o veto russo era"incompreensível", enquanto a Rússia disse que sanções abririamum precedente perigoso para a interferência política daOrganização das Nações Unidas (ONU). Rússia, China e a África do Sul disseram que a resoluçãoiria prejudicar o diálogo entre o partido do governo e aoposição. "Nós estamos muito felizes com o resultado dos eventos egostaríamos de agradecer aqueles que ajudaram a vencer oracismo internacional disfarçado em ação multilateral na ONU",disse o ministro das Comunicações do Zimbábue, SikhanyisoNdlovu, à Reuters. "Os princípios de não-interferência em assuntos desoberania de um Estado membro da ONU foram sustentados. O que aONU tem a ver com as eleições de um de seus membros?", disse oministro. O líder da oposição no Zimbábue Morgan Tsvangirai venceuMugabe no primeiro turno das eleições presidenciais, em 29 demarço, mas não conseguiu votos suficientes para evitar osegundo turno. Tsvangirai se retirou da disputa do segundo turno em 27 dejunho, citando ataques da milícia pró-Mugabe a seuspartidários. Seu partido, o MDC, e países ocidentais chamaram avitória de Mugabe de "trapaça". NEGOCIAÇÕES O MDC está em negociações preliminares com o partido dogoverno e com mediadores sul-africanos, mas se recusa anegociar um acordo para a divisão do poder até que o governoacabe com a campanha de violência na qual, diz o MDC, 113 deseus partidários foram mortos. "O sofrimento do povo do Zimbábue está piorando a cada diae uma negociação pacífica da transição é urgentementenecessária", disse um comunicado do MDC em resposta ao fracassoda resolução. O ministro das Relações Exteriores britânico, DavidMiliband, disse no sábado: "Vai parecer incompreensível para opovo do Zimbábue que a Rússia... bloqueie o caminho de ação doConselho de Segurança." Apesar da derrota diplomática, Miliband insistiu que aGrã-Bretanha vai manter as pressões a Mugabe. Um comunicado dogabinete do primeiro-ministro Gordon Brown afirmou que o ReinoUnido e outras nações européias iriam discutir medidas a seremtomadas. O Grupo dos Oito, que inclui a Grã-Bretanha, os EstadosUnidos assim como a Rússia, concordaram na terça-feira em imporsanções devido à violência durante as eleições no Zimbábue. O embaixador norte-americano nas Nações Unidas, ZalmayKhalilzad, acusou a Rússia na sexta-feira de uma mudança emrelação a sua posição durante o encontro do G8 e levantoudúvidas sobre sua credibilidade como parceiro no grupo. ARússia negou mudança de posição política. "Nós consideramos essa declaração inaceitável", disse oporta-voz do ministério das Relações Exteriores russo AndreiNesterenko no website do ministério. "A adoção de tal documento pelo Conselho de Segurança daONU iria criar um precedente perigoso, abrindo caminho para ainterferência do Conselho de Segurança em assuntos internos emconexão com certos eventos políticos incluindo eleições, o queé uma violação crassa da Carta da ONU", disse o ministériorusso. (Reportagem adicional de Muchena Zigomo em Johanesburgo,Gleb Bryanski em Moscou, Chris Buckley em Pequim e John Sinnottem Londres)

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