Zimbábue envergonha a África, diz Kofi Annan

Para o ex-secretário da ONU, crise na região não pode manchar a imagem do continente, informa 'Guardian'

Da Redação, estadao.com.br

18 de julho de 2008 | 19h22

O ex-secretário-geral da ONU e Nobel da Paz Kofi Annan insistiu nesta sexta-feira, 18, em um acordo de paz "factível" para o Zimbábue, informa o jornal britânico The Guardian em sua edição online. Annan, que ajudou a solucionar a crise política no Quênia no começo do ano, afirmou em entrevista à publicação que a situação no país "envergonha a África." Veja também:UE endurecerá sanções ao Zimbábue, dizem diplomatas As primeiras conversas entre o presidente zimbabuano Robert Mugabe, eleito para o 6.º mandato, e o líder oposicionista Morgan Tsvangirai, foram interrompidas na quinta-feira. Para Annan, o Ocidente deve repensar a imagem da África e não permitir que o Zimbábue forme um estereótipo do continente em crise, destaca o Guardian. Tsvangirai venceu o primeiro turno das eleições presidenciais, mas desistiu do segundo alegando que seria impossível continuar na disputa diante da campanha de intimidação e violência contra a oposição do governo de Mugabe. "O Zimbábue envergonha a maioria dos africanos, mas ao mesmo tempo é errado julgar o continente inteiro tendo em vista o que acontece na região. O Moçambique atravessou uma guerra civil de forma extremamente admirável", afirmou ao jornal britânico. "Você viu a Botswana indo muito bem, o Malauí dando ótimos passos para aumentar a produção de alimentos. Os africanos ouvem tudo sobre o Zimbábue e estão preocupados como o resto do mundo. Isso nos envergonha", continuou Annan. Em fevereiro, Annan mediu um acordo pôs fim à violência que tomou conta do Quênia depois das eleições de dezembro. Mais de mil pessoas morreram no decorrer de quase dois meses de distúrbios políticos. Quando perguntado se poderia tornar-se um negociador para a crise no Zimbábue, o ex-secretário da ONU prontamente responde que "é claro que poderia ajudar, porque eu sou africano", informa o Guardian. "Cada crise tem sua própria dinâmica, mas no Zimbábue os líderes têm que aceitar o desejo do povo", conclui Annan.

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