Zimbábue prende diplomatas dos EUA e Reino Unido por horas

Washington diz que grupo que investigava onda de violência foi detido e interrogado pelo governo de Mugabe

Agências internacionais,

05 de junho de 2008 | 13h52

Um grupo de diplomatas britânicos e americanos que investigavam a violência política no Zimbábue foi detido nesta quinta-feira, 5, por forças de segurança em uma localidade rural nos arredores de Harare, e libertados pouco após serem interrogados em uma delegacia, confirmaram fontes oficiais.   Veja também:   Candidato rival do presidente Mugabe retoma campanha   Segundo a Embaixada dos Estados Unidos em Harare, forças da polícia, efetivos do Exército e um grupo dos chamados "veteranos de guerra" da independência do Zimbábue detiveram os diplomatas em um controle de caminhos em Bindura, 80 quilômetros ao norte da capital zimbabuana. Porta-vozes do Ministério do Interior zimbabuano disseram que os detidos foram libertados após serem interrogados.   Londres e Washington assinalaram que o presidente Robert Mugabe lidera uma campanha de violência e intimidação aos que apóiam o candidato opositor Morgan Tsvangirai, rival no segundo turno eleitoral que acontece no próximo dia 27. O líder oposicionista zimbabuano Morgan Tsvangirai voltou nesta quinta a fazer campanha para as eleições presidenciais deste mês, um dia depois de ter passado nove horas em uma delegacia próxima da segunda maior cidade do Zimbábue, anunciou o Movimento para a Mudança Democrática (MMD).   Por meio de um comunicado, Tsvangirai afirma que as horas que passou na delegacia de Bulawayo depois de ser preso enquanto fazia campanha são uma prova do quanto o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, está preparado "para roubar" o segundo turno da eleição. Wayne Bvudzijena, porta-voz da polícia, alegou que as autoridades apenas queriam certificar-se que um dos veículos do comboio de Tsvangirai estava adequadamente registrado.   Desertor pede unidade   Um desertor do partido do governo, que também disputou as eleições presidenciais e ficou na terceira posição, afirmou nesta quinta-feira que o segundo turno deveria ser cancelardo para se evitar um banho de sangue maior no país. O ex-ministro das Finanças Simba Makoni, que é a favor de um governo de unidade nacional, manifestou que o país não poderia se dar ao luxo de uma nova eleição e que o segundo turno não acabará com a crise política e o colapso econômico.   "Estamos convencidos de que o nosso país e seu povo menos precisam agora é de outra eleição. Por outro lado, a violência que absorve o país nesse momento não nos dá presságios para uma eleição livre e justa", disse Makoni.

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