Zimbábue prende rival do presidente pela 2ª vez na semana

Tsvangirai é libertado após duas horas e proibido de seguir com campanha; eleição acontece em 27 de junho

Reuters e Associated Press,

06 de junho de 2008 | 07h42

O candidato da oposição Morgan Tsvangirai foi detido novamente nesta sexta-feira, 6, segundo afirmou Nelson Chamisa, porta-voz do Movimento para a Mudança Democrática (MCD), sigla em inglês). Em comunicado, o partido afirma que o rival do presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, no segundo turno das eleições presidenciais foi preso e levado até uma delegacia enquanto liderava um comício. Duas horas depois, ele foi libertado e informado de que não poderá seguir com a sua campanha presidencial. "O presidente do MCD Tsvangirai e outros membros foram detidos novamente em Umzingwane. Eles foram levados para a delegacia", detalha o comunicado. Esta é a segunda vez que o rival de Mugabe é detido nesta semana. A menos de um mês do segundo turno das eleições presidenciais, marcadas para o dia 27, a repressão aos partidários da oposição tem se intensificado. Na quarta-feira, o candidato opositor, Morgan Tsvangirai, foi preso por mais de oito horas por fazer campanha sem autorização do governo. Jornalistas que acompanhavam a comitiva ouviram de policiais que os comícios que Tsvangirai - em campanha para o segundo turno das eleições presidenciais no Zimbábue - pretendia fazer são ilegais. O líder oposicionista e sua comitiva de campanha foram levados até uma delegacia em Esigodini, cerca de 50 quilômetros a sudeste de Bulawayo, segunda maior cidade do país. Após a libertação, a polícia escoltou o líder político e as pessoas que o acompanhavam na viagem de volta a Bulawayo. Suspensão de ONGs Após suspender por tempo indefinido todo o trabalho de campo de grupos de ajuda humanitária e organizações não governamentais, acusando-as de fazer campanha para a oposição, o governo do Zimbábue condicionou as ações das agências à obtenção de um autorização governamental, segundo afirmou comunicado do Executivo. O ministro do Bem-Estar Social Nicholas Goche acusou várias organizações de "quebrar os termos e condições de seu registro" em um comunicado por escrito enviado aos grupos. Segundo a BBC, a suspensão de todo o trabalho de campo de organizações voluntárias privadas e ONGs foi determinada quase uma semana depois de o presidente Robert Mugabe ter proibido a permanência de algumas agências de ajuda no país. A Care Internacional, organização baseada no Reino Unido, foi proibida de trabalhar depois de ter sido acusada de fazer campanha pelo partido opositor antes do segundo turno das eleições presidenciais do dia 27 de junho. A Care nega veementemente a acusação. Outras agências disseram ter sido obrigadas a diminuir seu trabalho, em particular em redutos da oposição. O vice-ministro da Informação Bright Matonga disse à BBC que várias organizações de ajuda têm feito campanha para a oposição e distribuído alimentos apenas para os simpatizantes da oposição. Em um país onde milhões de pessoas dependem de ajuda alimentar, a decisão do governo pode ter sérias conseqüências. Diplomatas americanos e britânicos foram detidos na quinta em um bloqueio policial em Bindura, a cerca de 80 quilômetros ao norte de Harare, acusados de fazer campanha para a oposição. Washington e Londres negaram a acusação e garantiram que o grupo estava investigando casos de violência política no Zimbábue. De acordo com o embaixador americano James McGee, os diplomatas foram ameaçados por militares que se autodenominam "veteranos de guerra", um dos grupos mais leais ao presidente Robert Mugabe. "Eles ameaçaram queimar os veículos com o meu pessoal dentro, se eles não os acompanhassem até a delegacia", afirmou McGee, que não estava com o grupo de diplomatas. Depois de cinco horas, o grupo - composto por cinco americanos, quatro britânicos e três zimbabuanos - foi liberado.

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