Zimbábue registra 746 mortes e 15 mil infectados por cólera

Escritório de Assuntos Humanitários da ONU aponta crescimento da epidemia nos últimos dias

Agências internacionais,

10 de dezembro de 2008 | 09h30

A epidemia de cólera registrada no Zimbábue desde agosto já provocou a morte de 746 pessoas, segundo o último balanço realizado pela ONU. De acordo com os dados oferecidos pelo Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha), os casos de pessoas com cólera são de 15.572. Antes um dos mais prósperos países africanos, o Zimbábue tem uma hiperinflação de quase 1 trilhão por cento ao ano e seu Estado é incapaz de fornecer serviços básicos. O surto de cólera é visto como mais uma prova da incapacidade do Estado em exercer suas funções essenciais. O impasse político persiste, funcionários públicos estão com salários atrasados e a oferta de alimentos vem minguando. Nesta semana, o ministro da Informação do Zimbábue, Sikhanyiso Ndlovu, disse que a epidemia de cólera está "sob controle" e que a doença é uma conseqüência das sanções econômicas que o Zimbábue já sofre. Na terça, o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, voltou a acusar O Reino Unido e os Estados Unidos de planejarem a invasão de seu país em meio à crescente pressão internacional para que renuncie ao cargo. O presidente dos EUA, George W. Bush, pediu a Mugabe que renuncie. Bush descreveu o regime de Mugabe como "tirânico". Ao mesmo tempo, Mugabe renovou a repressão aos dissidentes, acusou nesta terça-feira um grupo de defesa dos direitos humanos. "Como minha administração já deixou claro, é hora de Robert Mugabe partir", disse Bush. "Em todo o continente, vozes africanas falam com coragem que agora é a hora dele renunciar. Esses líderes compartilham com os zimbabuanos o desejo de volta da paz, democracia e prosperidade", disse Bush. George Charamba, o porta-voz de Mugabe, acusou as potências ocidentais de terem planos de levar o caso do Zimbábue ao Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU) sob a alegação de que uma epidemia de cólera e a escassez de comida incapacitaram o governo. "Os britânicos e os americanos estão determinados a levar o Zimbábue perante o Conselho de Segurança da ONU", escreveu Charamba em artigo publicado na terça-feira no jornal estatal Herald. "Eles também estão determinados a assegurar que o Zimbábue seja invadido, mas sem que executem diretamente (a invasão). Sob tais circunstâncias, nada os deterá", prosseguiu. "Não ficaremos surpresos se eles gerarem uma 'missão' envolvendo a ONU", concluiu Charamba. Na segunda-feira, a União Européia (UE) aumentou a pressão diplomática sobre o Zimbábue ampliando as sanções sobre Mugabe e os freqüentadores de seu círculo íntimo. Por sua vez, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, somou sua voz às conclamações de líderes ocidentais para que Mugabe deixe o cargo.  Brian Raftopoulos, organizador do Solidarity Peace Trust, um grupo que opera a partir da África do Sul, disse que um certo número de ativistas foram seqüestrados no Zimbábue, enquanto manifestantes foram reprimidos com brutalidade pela polícia de Mugabe. "Quanto mais tempo durar o impasse político, nós assistiremos a uma crescente repressão", disse Raftopoulos nesta terça-feira na África do Sul.

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