AP Photo/Tsvangirayi Mukwazhi
AP Photo/Tsvangirayi Mukwazhi

Zimbábue suspende parcialmente restrições à caça de leões e outros animais

Presidente Robert Mugabe chama de 'vândalos' responsáveis pela morte do leão Cecil; guardas dos parques nacionais terão de acompanhar caçadores locais e estrangeiros, diz associação

O Estado de S. Paulo

10 de agosto de 2015 | 10h55

HARARE - O Zimbábue suspendeu parcialmente as restrições à caça de leão, leopardos e elefantes apenas uma semana depois de entraram em vigor motivadas pela polêmica morte do leão Cecil por um caçador americano, informou nesta segunda-feira, 10, a principal associação de caça do país.

Em comunicado divulgado à imprensa, a Associação de Guias e Caçadores Profissionais do Zimbábue (ZPHGA, em inglês) especificou que a proibição à caça de animais de grande porte será mantida em alguns cerrados como no qual onde morreram recentemente dois leões, incluindo Cecil, e em duas zonas de caça ao sul do Parque Natural Hwange.

Os caçadores locais e seus clientes estrangeiros terão que estar acompanhados a partir de agora de guardas dos parques nacionais para poder caçar leões, leopardos e elefantes, segundo a ZPHGA.

O Zimbábue impôs em 2 de agosto limites à caça de animais de grande porte nas áreas que rodeiam os parques naturais, onde foi abatido ilegalmente em julho Cecil, o leão mais famoso do país africano. 

"Após algumas discussões entre dirigentes de safáris e as autoridades do Zimbábue, a suspensão da caça de animais de grande porte foi levantada em todo o país", disse a entidade. "Não será permitida a caça de mais animais emblemáticos."

Um conservacionista garantiu que a nova regulação também revogou a autorização dos guardas para caçar animais com fins alimentícios dentro dos parques porque estavam abusando desta prática, embora a medida deva ser ratificada pela Autoridade dos Parques e Vida Selvagem do Zimbábue (ZPWMA).

O conservacionista, que pediu anonimato, garantiu que, apesar da suspensão de parte dos limites à caça, a nova regulação restringirá as práticas de "toda a indústria da caça de forma em massa".

Vândalos. Nos primeiro comentários públicos sobre o caso Cecil, o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, afirmou que o país falhou na sua responsabilidade de proteger seus recursos naturais contra o que chamou de "vândalos estrangeiros".

"Todos os recursos naturais são de vocês. Incluindo o leão Cecil, que era de vocês. Ele está morto, mas vocês deveriam protegê-lo, o que não fizeram", disse Mugabe em um discurso durante o feriado nacional do Dia dos Heróis, que foi transmitido pela TV.

"Em parte, são vândalos que vem de todos os lugares. Alguns talvez sejam visitantes comuns, mas há outros que querem vandalizar para adquirir irregular e ilegalmente parte destes recursos", afirmou Mugabe.

A morte do leão Cecil abriu o debate sobre a caça legal em países como o Zimbábue. O leão, de 13 anos de idade, foi atraído com uma presa amarrada a um veículo como isca para abatê-lo fora do parque, de modo que tecnicamente já não era ilegal caçá-lo. 

Um ministro do governo de Mugabe apresentou uma petição para extraditar o dentista americano James Walter Palmer para que ele seja julgado no país pela morte do leão. / EFE e AP

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