Zimbábue suspende trabalho de agências humanitárias

Governo do presidente Mugabe diz que grupos fazem campanha para oposição; 2º turno eleitoral será no dia 27

Agências internacionais,

04 de junho de 2008 | 09h23

Pelo menos 30 agências humanitárias que fornecem alimento, assistência médica e outros serviços para a população mais carente e vulnerável no Zimbábue tiveram seus trabalhos suspensos pelo governo, segundo afirmou um oficial das Nações Unidas (ONU) à CNN.   As autoridades do país ordenaram que as agências suspendessem as operações com a justificativa de que elas dão apoio políticos ao candidato da oposição, o que o grupo nega. Segundo o escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários no Zimbábue, das cerca de 65 organizações internacionais e 200 locais, pelo menos 30 agências em 11 regiões do país relataram a interrompidos.   A decisão, segundo a CNN, coloca em risco centenas de milhares de pessoas, que dependem do apoio desses grupos para se alimentar. Uma das maiores organizações não governamentais no Zimbábue, a Care, afirmou que recebeu a ordem há alguns dias.   Entre outubro e março, a ONG forneceu alimento para cerca de 1 milhão de pessoas por mês, segundo afirmou o porta-voz Kenneth Walker. A Care auxilia ainda cerca de 500 mil pessoas com uma série de programas para órfãos e portadores do vírus da AIDS, além de garantir água potável, condições sanitárias adequadas e encorajar pequenos negócios com empréstimos.   As medidas contra as agências humanitárias são pano de fundo para o segundo turno da disputada eleição presidencial, que espalhou uma onda de violência, tortura e intimidação. Segundo a BBC, a oposição acusa o governo e o Exército de bater e torturar simpatizantes do partido em uma tentativa de mantê-los longe das urnas ou fazer com que votem para o partido governista.   O atual presidente, Robert Mugabe, e o candidato do partido de oposição Movimento pela Mudança Democrática (MDC, na sigla em inglês), Morgan Tsvangirai, disputarão o segundo turno no dia 27 de junho.

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