Zinni encontra Arafat em dia de 35 palestinos mortos

Rompendo o isolamento de Yasser Arafat,um enviado espacial norte-americano, Anthony Zinni, reuniu-senesta sexta-feira com o líder palestino em seuquartel-general cercado por tanques israelenses na Cisjordânia.E com a maciça ofensiva militar de Israel entrando em suasegunda semana, pelos menos 35 palestinos - inclusive doislíderes milicianos acusados de sangrentos ataques contraisraelenses - foram mortos hoje, o maior número de mortes em umúnico dia da campanha. Um dos milicianos mortos seria o arquiteto do atentado suicidaà bomba na Páscoa judaica que matou 26 pessoas e precipitou oque Israel chama de "Operação Muralha Protetora" - suatentativa de esmagar milícias palestinas que têm promovido umaonda de ataques contra cidades israelenses. Pelo menos umsoldado de Israel foi morto nos confrontos de hoje. Tropas e tanques israelenses entraram nesta sexta-feira emmais uma cidade no norte da Cisjordânia, apesar de um forteapelo do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, por umfim da ofensiva. O ministro da Defesa de Israel, BinyaminBen-Eliezer, explicou: "Estamos concluindo a operação quecomeçamos." Porém, nova violência na fronteira norte com o Líbanolevantou temores de que Israel possa acabar se encontrandopressionado em duas frentes de combate. O governo libanês,tentando conter a intensificação dos confrontos ao longo dafronteira, anunciou ter apreendido mísseis Katyusha prontos paraserem lançados e prendido meia dúzia de palestinos armados. Os combates mais intensos do dia ocorreram na cidade de Nablus norte da Cisjordânia, onde a fumaça de carros e prédiosincendiados tomou o ar enquanto tanques e helicópterosisraelenses travavam duros combates com centenas de palestinosarmados. Casas no campo de refugiados de Balata e na parte velha deNablus estavam marcadas por disparos de metralhadoras pesadas. Mísseis israelenses caíram sobre o bairro comercial da cidade,destruindo centenas de lojas e quiosques, disseram testemunhas. Uma pequena fábrica de shampoo que era usada como abrigo pormilicianos foi demolida por mísseis israelenses, enquanto civisvizinhos buscavam proteção dentro de suas casas. Fontes palestinas e a tevê israelense afirmaram que entre osmortos em Nablus estava Nasser Awais, um líder regional dasBrigadas Mártires de Al-Aqsa, uma milícia palestina que assumiua responsabilidade por diversos ataques contra israelenses nosúltimos 18 meses de conflito. Na cidade de Tubas, palco da última incursão israelense,tropas de Israel cercaram seis milicianos palestinos numa casa.Mísseis de helicópteros e bombardeios de tanques destruíram aresidência e mataram todos os palestinos. Mais tarde, fontes palestinas informaram que os seis eram QeisOdwan, chefe da ala militar do Hamas no norte da Cisjordânia eoutros cinco integrantes do grupo militante islâmico. A tevê de Israel divulgou que Odwan foi o arquiteto doatentado de 27 de março, no início da Páscoa judaica, o maismortal ataque contra israelenses desde o início da nova intifadapalestina. Buldôzeres israelenses acabaram com o que restou da casa eobrigaram pessoas que viviam nas proximidades a fugir, segundotestemunhas. Entre os palestinos mortos hoje estava uma menina de 14anos que havia saído na sacada de sua casa em Tubas para olharos arredores. Depois que os israelenses partiram da cidade, trêssupostos colaboradores de Israel que eram mantidos presos numacadeia foram mortos pela polícia palestina. Militares israelenses também recolheram os corpos de cincohomens em Belém, aparentemente mortos por outros palestinos porsuspeitarem que eles eram informantes. Na cidade de Jenin, norte da Cisjordânia, e em um campo derefugiados próximo - onde três soldados israelenses foram mortosno dia anterior - intensos bombardeios mantiveram centenas defamílias em suas casas e impediram que dezenas de feridos fossemretirados, segundo testemunhas. Pelo menos quatro palestinosforam mortos. Antecipando uma planejada visita do secretário de Estado ColinPowell na semana que vem à região, o enviado norte-americanoAnthony Zinni viajou para a cidade de Ramallah e manteve umareunião de 90 minutos com Arafat em seu quartel-general cercadoe bombardeado. Arafat está confinado em poucas salas de seu QG desdesexta-feira. Zinni foi a primeira autoridade americana aencontrar-se com ele em seu confinamento. Israel declarou Ramallah uma zona militar fechada, e tropasisraelenses lançaram granadas de efeito moral contra cerca deduas dezenas de jornalistas que estavam no lado de fora do QG deArafat para cobrir o encontro. Um assessor Arafat, Nabil Abu Rdeneh, disse que haveria maisconversações entre palestinos e autoridades norte-americanas nofinal do dia, mas o negociador palestino Saeb Erekat afirmouposteriormente que Israel impediu a continuidade dasnegociações. Israel negou a acusação. Arafat disse a Zinni que os palestinos concordam com umcessar-fogo negociado no ano passado pelo diretor da CIA GeorgeTenet, segundo seu vice, Mahmoud Abbas. Israel e os palestinosnão conseguem se entender sobre os prazos de implementação doacordo. No final do dia, o ministro da Informação palestino, YasserAbed Rabbo, foi brevemente detido por tropas isralenses durantebuscas em sua casa. Além dos dois líderes milicianos mortos hoje, Israelaparentemente tentou assassinar um chefe do grupo militanteJihad Islâmica. Testemunhas disseram que helicópterosisraelenses dispararam mísseis contra um carro na cidade deHebron dirigido por Ziyad Shuweiki, mas ele escapou. Cinco pessoas que passavam pelo local, entre elas um menino deoito anos, foram feridas. Em Ramallah e Belém, palestinos, que por dias não tinhampermissão para sair de suas casas, conseguiram duas horas dealívio, quando os militares israelenses suspenderam um toque derecolher. As ruas antes desertas se encheram de pessoas tentandocomprar suprimentos. Outras aproveitaram apenas para passear. "Precisamos de luz, ar, podermos ver uns aos outros", disseo professor universitário Jawil Rilal.A pressão internacional se intensifica sobre os israelensespara suspenderem a ofensiva. O Conselho de Segurança daOrganização das Nações Unidas aprovou uma nova resoluçãoexigindo a retirada "sem postergação" das tropas de Israel dascidades palestinas. Entretanto, autoridades locais e jornais israelensesdestacaram que Bush não mencionou em seu discurso uma imediataretirada da Cisjordânia. "Desde o início foi dito que estaremos nos territórios só porpoucas semanas", disse o ministro de Relações Exteriores deIsrael, Shimon Peres, à tevê de Israel. "Acho que as diferençasentre o que Bush exigiu e o que o governo decidiu não sãograndes." Na Casa Branca, o porta-voz Ari Fleischer absteve-se decriticar Israel. "Atos relevantes não ocorrem necessariamenteda noite para o dia. No entanto, o presidente aguarda resultadoe espera que eles aconteçam o mais rápido possível."

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