Zoellick defende reunião da OMC em Catar

Empenhado em garantir que a agenda de comércio exterior dos Estados Unidos não desapareça no novo cenário político e econômico criado em Washington e no resto do país pelos devastadores ataques terroristas contra o Pentágono e o World Trade Center, o representante de Comércio da Casa Branca, Robert B. Zoellick, disse nesta terça-feira que a administração Bush deseja ir adiante com a reunião ministerial da Organização Mundial de Comércio (OMC), marcada para o emirado árabe de Catar, na segunda semana de novembro. "Francamente, estaremos cedendo ao terrorismo se recuarmos e entrarmos em pânico", afirmou Zoellick em entrevista à CNBC.O alto funcionário disse duvidar que a reunião seja alvo de ações terroristas. "Acho extremamente improvável que os terroristas, que afinal de contas estão engajados numa mensagem política, ataquem países árabes e o resto do mundo", afirmou. "Mas, é claro, a segurança (da reunião) é algo que examinaremos." É improvável que a caracterização de Zoellick dos terroristas como pessoas "engajadas numa mensagem política", apenas uma semana depois de eles terem assassinado mais de 5.400 pessoas em Nova York e Washington, seja bem recebida pelos parlamentares democratas, sindicalistas e ambientalistas que querem frustar a política comercial da administração, a começar pelo pedido de concessão do mandato para negociar novos acordos de liberalização, mais conhecido como Autoridade de Promoção Comercial, ou "fast track".Não caiu bem no Capitólio uma declaração de Zoellick, publicada nesta terça pelo Washington Post, em defesa da aprovação imediata pelo Congresso de um acordo comercial que a administração Clinton deixou negociado com a Jordânia, sob o argumento de que seria um gesto importante na luta contra o terrorismo. O acordo EUA-Jordânia é o primeiro a conter cláusulas ambientais e trabalhistas. Assessores de congressistas democratas, que no início do ano exigiram que o acordo fosse votado como um gesto de boa fé da administração, lembraram nesta terça que o tratado poderia já estar em vigor, não fosse a resistência dos republicanos às cláusulas trabalhistas e ambientais e a decisão de Zoellick, em março, de usá-lo como instrumento de uma estratégia mais ampla para assegurar a aprovação do "fast track". Zoellick disse nesta terça que a "contra-ofensiva ao terrorismo tem dimensões políticas, econômicas e de segurança, e o comércio é uma importante parte dela". No Congresso, alguns líderes republicanos estão pesando a possibilidade de tentar anexar a lei do "fast track" a um projeto mais amplo de estímulo econômico que será debatido nos próximos dias.Mas com a economia provavelmente já em recessão, e o país e o governo totalmente absorvidos pela guerra contra o terrorismo, é incerto que os esforços de Zoellick para manter o comércio exterior na agenda política serão bem-sucedidos.

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