Zona desmilitarizada ameaça processo de paz na Colômbia

O presidente colombiano, Andrés Pastrana, está sendo fortemente pressionado a suspender a zona desmilitarizada, depois da recusa da guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), em aceitar uma mudança das regras para as negociações de paz. Na noite de ontem, o Senado colombiano declarou estar em sessão permanente e suspendeu as atividades legislativas até o presidente decidir se vai prolongar ou cancelar a chamada zona desmilitarizada - uma área de 42 mil quilômetros quadrados sob controle das Farc, no sul do país. A decisão deve ser tomada até domingo. O presidente do Partido Liberal, Luis Guillermo Vélez, solicitou ao Senado a retirada do reconhecimento político à guerrilha - graças ao qual o governo pode negociar com os grupos guerrilheiros. De acordo com Vélez, depois do seqüestro e do assassinato da ex-ministra da Cultura Consuelo Araújo, as Farc se tornaram uma organização terrorista, que esqueceu "a ética revolucionária". O senador da oposição Germán Vargas apresentou um relatório informando que, desde que a zona desmilitarizada entrou em vigor 132 pessoas foram seqüestradas e levadas para a área, onde se desenrolaram as negociações de resgate. Dezessete pessoas foram assassinadas. De acordo com o relatório, a guerrilha aumentou a área de cultivo de folhas de coca de 10.200 hectares para 13.300, desapropriou terras e intensificou o recrutamento e treinamento de combatentes. Por sua vez, as Farc alertaram que, se a zona desmilitarizada for suspensa, termina o processo de paz - que não seria retomado por, pelo menos, quatro anos. Isto teria conseqüências imprevisíveis para o aumento da violência na Colômbia, segundo as Farc.

Agencia Estado,

03 Outubro 2001 | 15h02

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