AFP PHOTO / Vasily MAXIMOV
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Zonas de exclusão dividem a Síria, diz Rússia

Acordo marcado para entrar em vigor hoje foi precedido de controvérsia entre os governos de Moscou e Washington 

O Estado de S. Paulo

05 Maio 2017 | 21h10

MOSCOU  - Um acordo para o estabelecimento de quatro áreas seguras na Síria, assinado na quinta-feira pelos três fiadores do cessar-fogo nesse país – Rússia, Turquia e Irã –, entrará em vigor à zero hora deste sábado, segundo o Ministério da Defesa russo. 

De acordo com o governo de Moscou, aviões da Força Aérea da Rússia continuarão a atacar o Estado Islâmico em outros lugares do país. Segundo os russos, os aviões americanos que também combatem na Síria estão proibidos de voar pela maior parte do espaço aéreo. 

A declaração provocou imediatamente uma controvérsia com Washington, que é garantidor, mas não signatário do acordo. Um porta-voz do Departamento de Estado americano, Edgar Vasquez, afirmou que o acordo não proíbe ninguém de “combater terroristas onde quer que eles estejam na Síria”. Segundo Vasquez, a interpretação russa do próprio acordo “não fazia sentido”. 

O diplomata russo Aleksandr Lavrentiev chegou a sugerir que aviões russos e turcos estariam proibidos de voar sobre essas quatro áreas de segurança designadas, nas quais o governo sírio e forças rebeldes deveriam cessar os combates entre eles. 

Mas Lavrentiev, aparentemente, esboçou uma área de segurança geograficamente mais ampla para os EUA e sua coalizão militar do que para a Rússia e a Turquia. Segundo o diplomata, os EUA e a coalizão aliada estariam autorizados a voar somente sobre o leste da Síria, sobre regiões mantidas pelo grupo Estado Islâmico, aparentemente excluindo totalmente a crucial parte oeste do país. 

Embora as fronteiras exatas das quatro zonas ainda não tenham sido definidas, os países fiadores determinaram que elas seriam criadas na Província de Idlib, ao norte da cidade de Homs, em Guta Oriental (Província de Damasco) e no sul do país.

O acordo para a criação destas áreas foi alcançado na quinta-feira em Astana, capital do Casaquistão. O objetivo é isolar grupos terroristas no país afetado pela guerra. Moscou propõe colocar países não envolvidos diretamente no conflito para fazer parte de operações de paz e o Brasil foi mencionado como alternativa. 

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, afirmou na quinta-feira ao Estado que não houve nenhum comunicado ao País nesse sentido, mas que a tradição brasileira é “só participar dessas missões sob a égide da ONU”. / REUTERS, EFE e NYT

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