Leonardo Muñoz/Efe
Leonardo Muñoz/Efe

Zuluaga diz que se for eleito suspenderá negociação de paz com as Farc

Candidato disputará o 2.° turno com o presidente Santos, que iniciou conversas com a guerrilha em 2012

Rodrigo Cavalheiro / enviado especial a Bogotá,

26 Maio 2014 | 14h24

BOGOTÁ - O vencedor do primeiro turno da eleição colombiana, Óscar Iván Zuluaga, suspenderá em seu primeiro ato a negociação de paz mantida desde 2012 com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) se ganhar no dia 15 a disputa final contra o presidente Juan Manuel Santos.

Caso a guerrilha não acate em 8 dias - a partir da posse, em 7 de agosto - sua exigência de um cessar-fogo total e comprovado, o candidato do ex-presidente Álvaro Uribe adotará a estratégia bélica de seu mentor, que em oito anos de governo ordenou a maior ofensiva contra a guerrilha. Outra condição de Zuluaga para seguir negociando é que os líderes das Farc cumpram pelo menos 6 anos de prisão.

"Se não aceitarem, nossa função é persegui-los e capturá-los. Vamos debilitar a guerrilha até acabar com o conflito em uma negociação em condições dignas. Eles não podem continuar recrutando crianças e matando agricultores enquanto negociam", afirmou ao Estado, em encontro com jornalistas ontem em Bogotá.

Zuluaga obteve 29,25% dos votos no domingo 25, enquanto o candidato à reeleição ficou com 25,69%. A eleição do candidato uribista significaria uma reviravolta na posição colombiana em política externa e na negociação de paz.

Nos últimos quatro anos, Santos retomou as relações com Venezuela e Equador - rompidas depois que ele mesmo, quando era ministro da Defesa de Uribe, entre 2006 e 2009, denunciou que os guerrilheiros se escondiam nos países vizinhos. No poder, ganhou a confiança do chavismo a ponto de a Colômbia mediar, ao lado de Brasil e Equador, a aproximação entre governo e oposição na Venezuela em meio a protestos contra o presidente Nicolás Maduro.

Em relação às Farc, Santos iniciou um processo de paz há 20 meses que avançou em três pontos: reforma agrária, saída da guerrilha no narcotráfico e inserção do grupo na política. O acordo indica penas leves, em geral serviços comunitários, aos que deem informação sobre rotas de cartéis e o fim de desaparecidos.

O perdão ou impunidade com os líderes da guerrilha foi o ponto que mais desgastou a campanha de Santos - 75% dos colombianos está contra a anistia aos guerrilheiros. "Primeiro eram 6 meses, depois 1 ano, agora 2 anos. Quanto vamos esperar? Darei 8 dias para que digam se estão de acordo", afirmou Zuluaga.

 

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