EFE/NIC BOTHMA
EFE/NIC BOTHMA

Zuma sobrevive a moção de censura no Parlamento e segue no cargo na África do Sul

Popularidade do presidente, alvo de 783 denúncias de corrupção e com a economia em recessão, está em baixa

O Estado de S.Paulo

08 Agosto 2017 | 13h55

CIDADE DO CABO - O Parlamento da África do Sul rejeitou nesta terça-feira uma moção de censura apresentada contra o presidente sul-africano, Jacob Zuma, protegido pelos deputados de seu partido contra as investidas da oposição, que quer destituí-lo do cargo por corrupção e abuso de poder.

A proposta, que obteve 198 votos contrários, 177 favoráveis e 9 abstenções, acusava o presidente de corrupção e o responsabilizava por uma crise econômica que fez com que 2 milhões de pessoas perdessem seus empregos no país desde 2009, quando Zuma chegou ao poder.

Esta foi a sétima moção de censura enfrentada por Zuma como presidente e a primeira com voto secreto. O Parlamento sul-africano é composto por 400 deputados. Deles, 249 são membros do governista Congresso Nacional Africano (CNA). A oposição necessitava do voto a favor da moção de 50 legisladores governistas para obter a destituição de Zuma.

A oposição acusa Zuma de corrupção e de prejudicar a economia nacional para favorecer interesses de empresários próximos. O presidente é acusado de estar sob a influência e de favorecer os interesses de uma polêmica família de empresários indianos, os Gupta.

Zuma, de 74 anos, tem pendentes perante a Justiça 783 acusações por corrupção e no ano passado teve de devolver, por ordem do Tribunal Constitucional, 500 mil euros de dinheiro público que gastou de forma irregular na reforma da sua residência.

O presidente sul-africano se manterá no cargo após um intenso debate classificado pelo governo como “espetáculo político”. Aliados de Zuma chegaram a falar até em “golpe de Estado” contra o presidente. A oposição o acusa de ser um “criminoso” e de ter violado a Constituição. 

Os veteranos do CNA pedem que Zuma renuncie, assim como os sindicatos e personalidades políticas. O partido conduziu mal seu histórico revés nas eleições municipais de agosto de 2016 e tampouco aceitou a destituição em março do ministro das Finanças Pravin Gordhan crítico da corrupção, substituído por um ministro leal ao presidente.

Também sofre com uma considerável erosão de seu eleitorado. O secretário-geral do CNA, Gwede Mantashe, reconheceu que os escândalos que afetam Zuma pesam na imagem do partido.

Dois nomes circulavam para suceder a Zuma à frente do CNA: o atual vice-presidente, Cyril Ramaphosa, que lidera a oposição ao presidente no partido, e Nkosazana Dlamini-Zuma, ex-dirigente da União Africana (UA) que tem o apoio do chefe de Estado, seu ex-marido.

As principais cidades da África do Sul registraram protestos relacionados com a moção de censura, algumas delas com graves distúrbios. Em Johannesburgo, um grupo de manifestantes – que a polícia não pôde confirmar se eram favoráveis ou contrários a Zuma – bloqueou a circulação em várias ruas com barricadas com pneus incendiados e pedras.

A porta-voz da Polícia Metropolitana de Johannesburgo, Edna Mamonyane, disse que os protestos que se disseminaram pela cidade “pareciam coordenados”. Também ocorreram manifestações, tanto em apoio a Zuma quanto contra ele, na Cidade do Cabo e na capital, Pretória. /EFE e AFP

 

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