Zuma vive sob fogo cerrado da oposição

Futuro presidente é acusado de corrupção e lavagem de dinheiro

, O Estadao de S.Paulo

18 de abril de 2009 | 00h00

A vida de Jacob Zuma à frente da África do Sul não será fácil. Há quase seis anos ele enfrenta uma maratona judicial para escapar de acusações que variam de estupro, corrupção, lavagem de dinheiro e sonegação. Como presidente do país, ele será o farol do continente, mas para muitos sul-africanos a mudança no perfil da presidência é uma péssima notícia.Em breve, o país deixará de ter a cara de Nelson Mandela, símbolo de fineza e tolerância, e ganhará traços de um rolo compressor. Durante seis anos, Zuma foi vice-presidente de Thabo Mbeki. Em 2005, ele foi acusado de receber, entre 1995 e 2005, US$ 600 mil do empresário Schabir Shaik, amigo e assessor econômico.Em troca da caixinha, Shaik usava o nome de Zuma para faturar licitações públicas para sua empresa. O escândalo obrigou Mbeki a demiti-lo da vice-presidência - o que é permitido pela Constituição sul-africana. Shaik foi condenado a 15 anos de prisão, mas cumpriu apenas dois anos e meio e saiu por motivo de saúde.Sucessor natural de Mbeki, Zuma deixou o governo acusando o séquito presidencial de querer enterrar sua carreira política, que de fato pareceu ter chegado ao fundo do poço quando ele foi acusado, alguns meses depois, de ter estuprado a filha de um velho amigo de partido. Durante o julgamento, Zuma admitiu que sabia que a moça era HIV positivo e manteve relações sexuais com ela sem proteção, mas que tinha evitado o risco da aids por ter "tomado um banho em seguida". A declaração transformou Zuma em piada nacional.O calvário judicial prosseguiu nos anos seguintes, ameaçando sua candidatura à presidência. As acusações de corrupção foram retiradas há duas semanas, mas não porque havia sinais de que Zuma fosse inocente, mas por causa de uma tecnicalidade jurídica: a Justiça concluiu que a promotoria, pressionada por Mbeki, esperou o momento certo para denunciá-lo, em uma clara tentativa de usar o caso de maneira política. Sem um atestado de inocência, Zuma ainda assusta muita gente, principalmente quando deixa escapar que é a favor da volta da pena de morte, abolida desde o fim do apartheid, em 1994. "Não entendo por que a gente defende os direitos de um criminoso e não da vítima", disse ele no ano passado. "Tem muito vagabundo que se esconde atrás da Constituição."Em 2006, ele irritou também gays e lésbicas quando disse que o casamento homossexual era "uma desgraça para a nação". "Quando era garoto, nenhum gay chegava perto de mim porque baixava o porrete", disse Zuma, que se desculpou dias depois.

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