Mark Allen Miller, via The New York Times
Mark Allen Miller, via The New York Times

5G promete revolucionar acesso à internet

Além de celulares, a tecnologia deve afetar dispositivos como robôs, drones e câmeras de segurança

Don Clark, The New York Times

07 de janeiro de 2019 | 06h00

Uma grande mudança tecnológica vai finalmente começar este ano. Trata-se de uma atualização de nossos sistemas sem fio do tipo que ocorre uma vez a cada dez anos, que começará a chegar aos usuários de celulares em questão de meses.

Mas não estamos falando apenas de celulares mais rápidos. A transição para a quinta geração da rede celular - conhecida como 5G - vai afetar também muitos outros tipos de dispositivos, incluindo robôs industriais, câmeras de segurança, drones e carros que enviam dados de tráfego uns aos outros. Esta nova era será um salto em relação à tecnologia celular atual, conhecida como 4G, oferecendo velocidades de acesso à internet que permitirão às pessoas baixar filmes inteiros em questão de segundos, provavelmente trazendo grandes mudanças para setores como o de jogos eletrônicos, de esportes e de compras.

Funcionários dos governos americano e chinês consideram as redes 5G como uma vantagem competitiva. As redes mais rápidas podem fomentar o uso da inteligência artificial e outras tecnologias. Saberemos mais a respeito da rede 5G em breve, em eventos como o MWC Barcelona (anteriormente conhecido como Mobile World Congress) a ser realizado em fevereiro, na Espanha. 

Recentemente, a Samsung apresentou protótipos de celulares 5G. Muitas outras fabricantes estão correndo para seguir este exemplo, embora não seja esperada a participação da Apple na onda inicial de aparelhos 5G. Analistas preveem que os iPhones equipados com a nova tecnologia só devem chegar a partir de 2020.

Eis abaixo tudo que você precisa saber.

Quando o 5G vai chegar?

Para os usuários de celulares em território americano, a resposta parece ser o segundo trimestre de 2019. Mas os smartphones ainda não estão prontos para uma conexão direta com as redes 5G. Andre Fuetsch, da AT&T Labs, disse que os primeiros aparelhos Samsung da empresa para sua rede 5G estarão disponíveis na primeira metade de 2019. 

Os países que devem seguir os Estados Unidos no lançamento em 2019 incluem Grã-Bretanha, Alemanha, Suíça, China, Coreia do Sul e Austrália, de acordo com cronograma traçado pela Qualcomm.

O que é exatamente a rede 5G?

A rede 5G é um conjunto de regras básicas técnicas que definem o funcionamento de uma rede celular, incluindo as frequências de rádio usadas e a interpretação de componentes como chips de computador e antenas para sinais de rádio e troca de dados.

Para obter seus benefícios, os usuários terão de comprar novos telefones, e as operadoras deverão instalar novos equipamentos de transmissão para proporcionar o serviço mais rápido.

Qual será a velocidade do sinal 5G?

A resposta depende de onde você mora e quais serviços sem fio você usa. A fabricante de chips celulares Qualcomm afirmou ter alcançado e documentado velocidades máximas de download via 5G da ordem de 4,5 gigabits por segundo, mas a previsão de velocidade média inicial é de aproximadamente 1,4 gigabit, cerca de 20 vezes mais rápida que a 4G.

As velocidades do 5G serão fáceis de notar principalmente no streaming de vídeos de alta qualidade. Para baixar um filme comum na velocidade citada pela Qualcomm na rede 5G, seriam necessários apenas 17 segundos, sendo que numa rede 4G o mesmo filme seria baixado em seis minutos.

segundo Justin Denison, vice-presidente sênior da Samsung, em vez de lembrar de baixar uma temporada de seu programa de TV favorito antes de ir para o aeroporto, por exemplo, seria possível baixar os capítulos ainda na fila de embarque.

Esta velocidade é o único dado importante?

Não. A latência pode ser um dado ainda mais crucial. Atualmente, ao enviarmos um comando via celular - como iniciar uma pesquisa na internet - a resposta não é exatamente imediata. É comum observarmos um atraso (lag) entre 50 e várias centenas de milésimos de segundo; o 5G foi desenvolvido para reduzir a latência a poucos milésimos. A rede também foi projetada para transmitir sinais de maneira mais confiável que as redes celulares anteriores, que hoje costumam perder bits de dados considerados não essenciais para tarefas como assistir filmes no celular.

Essa melhoria pode trazer benefícios para áreas como a realidade virtual e a realidade aumentada. E o impacto do 5G chega à medicina e outras áreas que dependem cada vez mais de conexões de alta velocidade.

"Se pensarmos numa cirurgia remota ou em carros conectados, queremos a latência tão baixa quanto o possível", disse Fredrik Jejdling, da fabricante de equipamentos celulares Ericsson.

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