Disney/Buena Vista
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A física quântica por trás do filme 'Homem-Formiga e a Vespa'

Cientistas prestaram consultoria a vários filmes este ano, como “Jurassic World: Mundo Ameaçado”

Darryn King, The New York Times

18 Julho 2018 | 10h00
Atualizado 19 Julho 2018 | 13h59

Meses antes do início da produção da continuação de “Homem-formiga e a Vespa”, o diretor Peyton Reed e vários roteiristas, artistas e produtores reuniram-se nos escritórios da Marvel Studios em Burbank, Califórnia, para ouvir um físico quântico explicar a ciência que permite realmente reduzir ao tamanho de uma miniatura.

Lembrando desta reunião, recentemente, o físico quântico Spyridon Michalakis, do California Institute of  Technology, contou que descreveu o reino subatômico como “um lugar de infinitas possibilidades, um universo alternativo em que as leis da física e as forças da natureza que nós conhecemos não se cristalizaram”. Na ocasião, ele apresentou sugestões a respeito de como seria possível visualizar isto na tela:”cores maravilhosas que mudam constantemente para refletir a transitoriedade”.

O produtor cinematográfico, Stephen Broussard, disse: “Não estou totalmente seguro de que consigo entender isto ainda, mas com certeza tive algumas ideias de como este lugar poderia ser”.

No primeiro “O homem-formiga” (2015), Scott Lang, o personagem do título interpretado por Paul Rudd, usa o poder de encolher até o tamanho de uma balinha Tic-Tac com a supervisão do cientista Hank Pym (Michael Douglas) e sua filha, Hope Dyne (Engeline Lilley). “Quando você é pequeno, a energia é comprimida”, explica Hope  a Scott. “Por isso, tem a força de um homem de 100 quilogramas em um punho do tamanho de um centésimo de polegada. Você vira uma bala de revólver”.

A explicação da densidade molecular pode parecer estranha na preparação de um filme de super-heróis, mas ela serve para mostrar que a série do “Homem-formiga” se baseia em dados científicos.

Em “O Homem-formiga e a Vespa”, que estreou no dia 6 de julho, Hope assume a identidade da Vespa igualmente minúscula, personagem que sofre de uma doença (fictícia) definida como “desequilíbrio molecular”. 

Outros dois que se fundem através de uma distância enorme, mais ou menos como partículas no fenômeno real do entrelaçamento quântico. No filme, fala-se ainda em campos tardigrados e vórtices temporais, e Laurence Fishburne dá uma conferência  tecnicamente correta sobre algo chamado decoerência quântica.

E, de fato, há um personagem que encolhe a tal ponto que pode mergulhar no Reino Quântico, baseado 

na realidade científica de que toma o nome, na qual as leis da física clássica deixam de funcionar.

“A Marvel se esforçou realmente ao máximo para incorporar a ciência real, interessante”, observou o dr. Michalakis. “Acho que ela se deu conta de que grande parte da ciência real se assemelha à ficção científica”.

O dr. Michalakis também foi o consultor do primeiro “Homem-formiga”, bem como de “O Homem-aranha de volta ao lar” (2017) e “Capitão Marvel”, que deverá estrear em 2019. Uma ciência mostrada de maneira convincente desempenhou um papel importante no cinema, este ano, em filmes como “Uma dobra do tempo” (com a ajuda do cosmólogo Stephon Axander), “Aniquilação” (com a do genetista Adam Rutherford) e “Jurassic World: Mundo Ameaçado” (do paleontólogo Jack Horner).

O dr. Michalakis espera que o seu trabalho contribua para acender a imaginação dos jovens. “Quando penso no alcance da ciência, não imagino outra maneira mais divertida de fazer isto do que por meio dos super-heróis”.

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