Toshifumi Kitamura/Agence France-Presse - Getty Images
Toshifumi Kitamura/Agence France-Presse - Getty Images
Matt Wasielewski, The New York Times

14 de outubro de 2018 | 06h00

O homem sempre esteve obcecado pela lua, e este sentimento está totalmente exposto no Museu Louisiana de Arte Moderna da Dinamarca.

Ali, a mostra “A Lua : de mundos interiores a espaços exteriores”, revela que nós, “os seres humanos, sempre desejamos a Lua na maior parte da nossa história - quisemos compreendê-la, capturá-la, pousar sobre ela, possuí-la”, escreveu Andrew Dickson para “The Times”.

O museu expõe uma gravura de 1793 do artista inglês William Blake que retrata uma figura minúscula subindo até a Lua por uma escada. O título é “Eu quero! Eu quero!”

A mostra descreve o nosso caso de amor com a Lua através de pinturas de paisagens lunares do século 16, a “Sonata ao luar” de Beethoven, de 1801, uma imagem fixa do filme de Georges Méliès, de 1902, “Viagem à Lua”, uma luva usada na missão da Apollo 17, e uma imagem recente da NASA da superfície da Lua.

“Quisemos estabelecer um diálogo entre arte e ciência”, disse a “The Times” Marie Laurberg, a curadora da exposição. “Nós viajamos até ela com a nossa imaginação muito antes de sermos capazes de fazê-lo fisicamente”.

Em uma galeria, no andar superior, está exposto um pedaço de um meteorito lunar. “Um objeto extraterrestre, inquietante, literalmente de outro mundo, capturou algo que muitas representações humanas não conseguem capturar”, escreveu Dickson. “Até mesmo em uma galeria de arte, a Lua verdadeira roubou o espetáculo”.

Enquanto as conquistas tecnológicas e o capital privado abrem caminho, o sonho “Eu quero! Eu quero!” de Blake em breve poderá tornar-se uma realidade. O bilionário japonês Yusaku Maezawa pagou à SpaceX um preço não revelado, mas indubitavelmente elevado, para ser o primeiro turista a orbitar a Lua. 

Entretanto, ele decidiu não ir sozinho. Ao contrário: “Preferi ir para a Lua com alguns artistas”, disse Maezawa, o fundador da companhia Zozo de vestuário online, em uma coletiva da SpaceX, no mês passado.

Elon Musk, o diretor executivo da companhia, não comentou quanto Maezawa pagou, afirmando apenas que foi algo bastante significativo” que “muito contribuiu para restaurar a minha fé na humanidade”.

O projeto de Maezawa, chamado “Querida Lua”, é descrito como um “projeto artístico imponente, global, universal”, que prevê a participação de um pintor, um músico, um diretor de cinema, um estilista e possivelmente outros que acompanharão Maezawa em uma jornada de cinco dias.

Mas ele terá de esperar um bocado. A viagem ainda é um pequeno projeto na SpaceX, e Musk calcula que custará cerca de 5 bilhões de dólares. A perspectiva de uma data de lançamento mais próxima para Maezawa e sua comitiva espacial é 2023.

Não está claro o que os artistas farão lá em cima. Quando o “The Times” conversou com os artistas para conhecer o que pensam a respeito, a maioria deles se mostrou mais interessada na metafísica do que em estabelecer uma colônia lunar.

Ai Weiwei, por exemplo, disse ao jornal que uma viagem à Lua proporcionaria uma nova maneira de olhar as coisas.

“Uma mudança de perspectiva é a fonte de todos os tipos de arte. Sem a mudança de perspectiva, nunca teremos uma visão completa de nada - política, pessoal ou social”, ele disse. “Por isso, o que posso dizer a respeito da Lua é uma observação: a minha insignificância em relação ao universo, e usá-la como um ponto de vista para o planeta terra”.

Entretanto, permanece o desejo de uma reivindicação. Se o escultor e pintor Eric Fischl pudesse alunissar e caminhar sobre a superfície da Lua, disse que “abriria o zíper do meu traje espacial e faria pipi no espaço onde a gravidade é menor, em uma fútil tentativa de marcar o meu território”.

Tudo o que sabemos sobre:
LuaElon MuskSpace X

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.