Caroline Tompkins/The New York Times
Caroline Tompkins/The New York Times

A magia de Yanni na turnê dos 25 anos de aniversário do show que o tornou famoso

Yanni está comemorando o concerto filmado em Acrópole, Atenas 

Zachary Woolfe, The New York Times

30 Maio 2018 | 10h00

FILADÉLFIA - O bigode voltou. Yanni, o deus grego-americano da música avassaladora, sinfônica, diz que frequentemente retoma a sua característica facial. Ele a tirou, alguns anos atrás; e é desconcertante a sua ausência da capa do seu álbum de 2016, “Sensuous Chill”.

Mas aqui, recentemente, retornou ao seu lugar, emoldurada pela cascata suave, familiar da cabeleira.

Todo este cabelo foi mantido no mesmo tom escuro, castanho escuro, de 25 anos atrás, quando no dia 25 de setembro de 1993, Yanni, hoje com 63, jogou todas as suas economias em um concerto de músicas suas na Acrópole de Atenas, acompanhado por uma orquestra completa, e fundamentalmente, filmado ao vivo. 

Graças a uma grande promoção da televisão estatal nos anos seguintes, o filme lhe rendeu um sucesso impactante. Vendeu sete milhões da versão em álbuns e contribuiu para preparar o mundo para os ricos sons instrumentais, sutilmente dramáticos de “Riverdance”, Enya e Lindsey Stirling.

“Achei que eles exageraram”, disse Yanni nos bastidores do Man Center for the Performing Arts, parte de uma turnê de três meses pelo aniversário do show na Acrópole.

Mas ele gosta de relembrar o show. “É impossível repetir o show da Acrópole”, afirmou.

Interessado em vislumbrar como e por que hordas de pessoas estabelecem uma relação forte com a música que consideram clássica, fui ao concerto como uma espécie de fã de outros tempos. Na realidade, só comecei a seguir a carreira de Yanni depois de Atenas. Mas depois disso, ele se apresentou no Taj Mahal, em 1997, abrindo um novo e vibrante mercado para a sua música na Índia. 

Explorou públicos mais aficionados à música menos complexa, sem lançar mão de atmosferas dramáticas como a da Acrópole (“If I Could Tell You”), flautas do mundo todo (“Ethnicity”); e colaborações de grandes nomes da ópera em geral, como Plácido Domingo e Renée Fleming, (“Inspirato”). Os seus fãs mais apaixonados continuaram a amá-lo ao longo de um hiato de alguns anos na virada do século, atribuído à exaustão e à depressão, mas é bastante revelador o fato de que ele só tenha uma data marcada no Radio City Music Hall de Nova York, nesta tournée, em comparação com 10 shows esgotados naquela cidade, em 1998.

Aqui, em Filadélfia, ele apresentou uma interpretação reforçada de canções do show “Live at the Acropolis” e de outras gravações. Desta vez, sem orquestra, mas o back da banda se exibiu em solos intensamente virtuosísticos - bateria frenética, e a maceração emocional dos violinos - como para compensar a ausência da força orquestral da escala usada na Acrópole.

No palco, ele falou, como fez há 25 anos, de um astronauta que olha para o nosso planeta e não enxerga nenhuma das fronteiras nas quais nós tanto insistimos. Mas principalmente, excluiu os acenos políticos. “Neste momento, a política é irrelevante para mim”, afirmou na entrevista, “embora seja extremamente relevante”.

Muitos espectadores foram vê-lo nos bastidores para cumprimentá-lo. Mulheres adultas choraram na presença de Yanni. Uma delas declarou que se ela morresse no dia seguinte, morreria feliz.

Antes do concerto, ele afirmou: “Quando gostam de mim, gostam mesmo”.

Mais conteúdo sobre:
música

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.