Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão
Mark A. Stein, The New York Times - Life/Style

01 de janeiro de 2022 | 05h00

Assim como os restaurantes, lojas e outros negócios normalmente realizados em locais lotados abertos ao público, o setor de saúde e fitness na Europa está lutando para se recuperar e colocar seus negócios de volta nos trilhos - assim que descobrir como será a cara de seu negócio.

As ordens das autoridades de saúde pública para o fechamento de academias de ginástica por diversas vezes tiveram um efeito profundo no setor. A empresa de consultoria Deloitte estima que as academias na Europa perderam 15,4% de seus membros, ou mais de 10 milhões de pessoas, mesmo quando os fechamentos foram relativamente breves. A receita do setor caiu duas vezes mais, quase 33%, porque os clientes trancaram seus planos ou solicitaram reembolsos.

Enquanto a pandemia se arrasta, os executivos das academias estão tentando ter um entendimento completo de como a covid-19 transformou fundamentalmente seu setor, que gerou $96,7 bilhões em receita global em 2019.

“Há muito tempo, acredito que muitos líderes de academias de ginástica pelo mundo presumem que têm toda a atenção do consumidor que se exercita”, disse Ray Algar, consultor de negócios global do setor de fitness e analista da Oxygen Consulting em Brighton, Inglaterra. “Que as academias estão no topo de alguma hierarquia do setor de exercícios.”

“As academias podem ter tido esse monopólio temporário, mas isso acabou, e a pandemia demonstrou que os consumidores podem encontrar e desfrutar de muitos substitutos diversos para a academia”, ele disse. “O que a pandemia fez tornou esses substitutos das academias mais visíveis. Portanto, isso representa um ponto de inflexão significativo, porque essa indústria global nunca foi desafiada a demonstrar seu direito de servir e apoiar o consumidor que se exercita.”

Stefan Ludwig, um parceiro da Deloitte e líder do Sports Business Group, disse que os lockdowns tiveram de fato um “impacto significativo no comportamento do consumidor e nas ofertas das operadoras”.

Um relatório da ClubIntel, uma empresa de pesquisa e consultoria de marketing, descobriu que as academias fechadas levaram muitas pessoas a perderem o hábito de se exercitarem regularmente e fez com que outras tentassem alternativas, como andar de bicicleta, ingressar em um grupo de caminhada, inscrever-se em videoaulas (dança e boxe são opções populares) ou comprarem um dispositivo interativo como Peloton ou Mirror.

O relatório descobriu que muitos clientes escolheram opções remotas oferecidas por fornecedores diferentes de uma academia. Para reter ou recuperar a clientela pré-pandêmica, as academias precisam aumentar esses tipos de opções e construir um modelo de negócios com diversas ofertas, como vídeos sob demanda e streaming. Muitas já começaram.

O ClubIntel descobriu que 27% das 2.000 pessoas que participaram de uma pesquisa online disseram que suas academias de ginástica ofereciam fitness digital durante os fechamentos devido à COVID; número que aumentou para 58% após a reabertura das academias.

“Muitas operadoras tradicionais foram rápidas em adaptar suas ofertas digitais, e elas continuam sendo a chave para seu sucesso ”, disse Ludwig.

Os clientes parecem abertos a treinos remotos. A MindBody, uma empresa de software de fitness, disse que 7% dos clientes pesquisados em 2019 faziam treinos com transmissão ao vivo; durante a pandemia, o número passou de 80%. Enquanto três quartos desses clientes disseram que pretendiam voltar a uma academia quando pudessem, muitos acrescentaram que também continuariam com os treinos virtuais.

“Embora as ofertas digitais tenham vindo para ficar, é improvável que substituam os serviços tradicionais”, disse Ludwig. “As operadoras são aconselhadas a integrar uma experiência digital abrangente em suas ofertas, enquanto mantêm seus serviços presenciais.”

Rastrear as taxas de transmissão da COVID-19, reconfigurar as academias e criar protocolos para o coronavírus são passos importantes para reconstruir a confiança de que as academias são ambientes seguros e persuadir os clientes a retornarem. “Os esforços do setor, especialmente na Europa, levaram a uma encorajadora taxa de retorno”, disse Algar.

A PureGym, a segunda maior marca de academias da Europa com cerca de 500 academias pelo Reino Unido, Dinamarca e Suíça, disse recentemente que tinha 1,6 milhão de membros no final de junho de 2021, o que é cerca de 94% de seu nível de junho de 2019.

Para serem competitivas, as academias não podem confiar no que funcionou no passado. Devem aprender a juntar diferentes opções oferecidas de várias formas, como ao vivo, streaming e sob demanda, em vez de continuar a ver o setor como um jogo de soma zero que coloca a academia contra a Peloton ou a Apple Fitness +, disse Algar.

As operadoras europeias descobrirão que uma abordagem diversificada é mais fácil de adotar porque os governos em muitos países perdoaram impostos e deram subsídios para cobrir as folhas de pagamento e despesas gerais para mitigar o fechamento de academias tradicionais, disse Ludwig. Apenas 1,4% das academias da Europa fecharam a partir de março de 2020, em comparação com cerca de 25% nos Estados Unidos.

Um apoio semelhante foi proposto para o setor nos EUA. O Gym Mitigation and Survival Act (Ato de Mitigação e Sobrevivências das Academias) oferece subsídios de até US $25 milhões para proprietários de academias. Mas o projeto, que tem 157 co-patrocinadores, incluindo 27 republicanos, não saiu do Comitê de Pequenos Negócios da Câmara.

As falências também foram menos comuns na Europa do que nos Estados Unidos. Duas redes americanas, a 24 Hour Fitness USA e a Gold's Gym International, buscaram proteção dos credores na primavera de 2020. A 24 Hour Fitness fechou mais de 100 academias, enquanto a Gold's fechou 30 antes de ser comprada pelo RSG Group, proprietários da McFit, a maior operadora de academias da Alemanha.

Helen Durkin, vice-presidente executiva de políticas públicas da International Health, Racquet and Sportsclub Association, disse que era difícil para as academias preverem o quão radicalmente a pandemia estava transformando o setor, “mas a necessidade de ser multicanal tem sido comentada por um tempo e algumas têm se planejado para isso.”

Durkin disse que a COVID acelerou a inovação, estimulando proprietários de empresas a abrirem mais estúdios - ou seja, locais menores dedicados a uma única modalidade, como ioga ou pilates - ou oferecerem aulas nas quais os clientes pagam por sessão em vez de pagarem uma mensalidade . “O setor está procurando modelos diferentes de cobrança”, ela disse. / TRADUÇÃO LÍVIA BUELONI GONÇALVES

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