Andy Marlin/USA Today Sports, via Reuters
Andy Marlin/USA Today Sports, via Reuters

Às vezes, tudo o que precisamos é de um forte abraço

No esporte, por exemplo, a sensação física do toque está ligada a melhorias no desempenho, de acordo com estudo de realizado pela Universidade da Califórnia

Robb Todd, The New York Times

22 de setembro de 2019 | 06h00

Vivemos um momento de emoções à flor da pele. Os abraços estão se multiplicando. Mas nem todo mundo quer ser abraçado, e há aqueles que não saberiam fazer uma demonstração recíproca nem se quisessem. Para quem não sabe como proceder, não faltam oportunidades de aprendizado. Haley M. Hwang disse que, durante a infância, seus pais não eram dados a demonstrações físicas de carinho, de modo que os abraços foram poucos. Em vez disso, ela recebia tapinhas nas costas. “Quanto mais vigoroso o tapinha, mais eles queriam indicar que nos amavam e que tinham orgulho de nós”, relembra Haley. “Agora observo meus filhos, criados sem inibições nas demonstrações de afeto, chegarem beijando meus pais, dizendo-lhes  ‘eu te amo’ sem rodeios”.

Haley disse que os pais dela ainda não abraçam os filhos, mas se sentem livres para abraçar os netos. “Tudo bem. Nós ficamos com os tapinhas no ombro", conforma-se. As gerações mais velhas não são as únicas tentando se adaptar à proliferação dos abraços. “Já me disseram que sou péssima nos abraços", brinca Naomi Osaka depois de vencer o campeonato de tênis US Open no ano passado, quando tinha 20 anos. “É que estou acostumada a apertos de mão. Fico confusa sempre que alguém se aproxima para um abraço”.

Naomi mostrou que aprende rápido, conforme um número cada vez maior de tenistas de ambos os sexos adquire o hábito de trocar um abraço ao fim da partida, em vez do tradicional aperto de mão. No mês passado, Naomi abraçou a jovem Coco Gauff, de 15 anos, que chorava depois de ser derrotada na terceira rodada do aberto deste ano. O abraço traz “um grau de intimidade que faz dos cumprimentos após a partida tão irreconhecíveis para os jogadores do passado quanto o sistema de rastreamento da bola e o limite de tempo para o saque”, compara Cindy Shmerler.

Pam Shriver disse que os tenistas profissionais da época dela jamais se abraçavam. Em 1982, ela derrotou a amiga e parceira de dupla, Martina Navratilova, surpreendendo-a com uma vitória no aberto dos EUA que pôs fim a uma sequência de 41 vitórias de Martina. Depois da partida, elas se cumprimentaram e cada uma pôs um braço no ombro da outra. “Foi algo tão revolucionário que a foto foi publicada na primeira página do New York Times no dia seguinte”, rememora.

Para além do consolo

Os abraços não servem apenas para efeito de consolo. A sensação física do toque está ligada a melhorias no desempenho, de acordo com estudo de 2010 realizado pela Universidade da Califórnia, em Berkeley. Os pesquisadores examinaram uma temporada da Associação Nacional de Basquete (NBA) e perceberam que as equipes cujos jogadores trocavam mais toques - cumprimentos, apertos de mão, abraços e outras brincadeiras - também venciam mais partidas. De acordo com eles, quanto mais toque, mais cooperação entre os envolvidos.

A equipe dos New York Yankees apresenta um dos melhores desempenhos entre os times do campeonato Major League Baseball nesta temporada. É possível que uma das razões disso seja a contratação de Cameron Maybin e seu gosto pelos abraços. “É meu jeito de quebrar o gelo imediatamente", diz. “Eu tiro a pessoa da zona de conforto e faço com que se sinta menos à vontade".

Maybin quer dar um aperto em todo mundo, especialmente depois de completar uma corrida – e os Yankees estabeleceram um novo recorde para o time este ano, chegando perto da marca de 300. “O abraço dá uma sensação boa", afirma. “Todo mundo precisa de um belo abraço às vezes. Mesmo quando a pessoa pensa que não quer abraço nenhum” . / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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