D. Alarcón e D. Grunbaum/Global Wildlife Conservation
D. Alarcón e D. Grunbaum/Global Wildlife Conservation

Acasalamento pode salvar espécie de rã de florestas de altitude

Romeu era considerado o último de sua espécie, mas pesquisadores conseguiram encontrar uma fêmea para 'a rã mais solitária do mundo'

Joanna Klein, The New York Times

28 de janeiro de 2019 | 06h00

Romeu foi feito para o amor. Mas, durante anos, ele ficou sozinho. Não ajudava o fato de ser tímido, alimentar-se de vermes, carecer de cílios e ter mais de 10 anos. Mas ele envelheceu bem, e é considerado um sujeito especial.

Romeu é uma rã da espécie Telmatobius yuracare, e já se pensou que fosse o último. Vive sozinho num tanque do Museu de História Natural Alcide d’Orbigny, na Bolívia. Uma doença provocada por um fungo ameaça as rãs da floresta de altitude onde ele foi encontrado há uma década.

Quando os pesquisadores o trouxeram ao centro de reprodução de espécies ameaçadas do museu, eles esperavam encontrar eventualmente outra rã com quem ele pudesse acasalar, salvando a espécie da extinção. Mas eles vasculharam todos os riachos da região, sem nada encontrar. 

Conhecido como "a rã mais solitária do mundo", Romeu precisava de um par e, assim, no ano passado, grupos de preservacionistas formaram uma parceria para criar um perfil para ele no serviço de paquera Match.com. Muitos se identificaram com as dificuldades românticas de Romeu e, no dia dos namorados do ano passado, a empresa e os fãs dele captaram US$ 25 mil para enviar uma equipe à floresta de altitude para encontrar sua Julieta.

Bem, Julieta foi encontrada, e Romeu logo deixará para trás os dias de solteiro. Os preservacionistas estão esperançosos. Se tudo der certo quando os dois se encontrarem, seus descendentes serão devolvidos ao ambiente selvagem. Então, o tempo dirá se o legado da espécie vai continuar.

Quando a expedição partiu no ano passado, os registros históricos foram de pouca ajuda. A região da Bolívia de Sehuencas, associada à espécie, não existe mais, substituída por uma imensa represa. Guias locais levaram a equipe até riachos de águas claras, mas os habitats que antes sustentavam dúzias de rãs estavam agora sem animais do tipo. E a espécie de Romeu é particularmente arisca, jamais se afastando da água.

Foi uma busca de muito frio, umidade e cansaço. Perto do fim de um longo dia de trabalho, os pesquisadores já estavam prontos para desistir, mas insistiram em estender a busca a um último riacho. Foi então que Teresa Camacho Badani, uma herpetóloga do museu, observou uma rã saltando de uma queda d’água para uma piscina natural. 

Ela correu em direção ao ponto onde o anfíbio tinha aterrissado, agachou-se e apanhou uma Telmatobius yuracare. Era Julieta. "Oh, céus, eu a encontrei!", exclamou ela. Posteriormente, o líder da equipe encontrou outros quatro espécimes: uma fêmea e três machos.

Ainda que pareça saudável, Julieta ficará de quarentena antes de conhecer Romeu. "Não queremos que Romeu pegue uma doença no primeiro encontro", disse a Dra. Camacho Badani. Julieta tem comportamento enérgico e não se importa com as câmeras, evitadas por Romeu. Mas os dois gostam de vermes. 

Se houver química entre o casal, a equipe espera trazer pequenos Romeus e Julietas de volta à floresta de altitude. Mas, primeiro, os pesquisadores precisam manter as rãs saudáveis e aprender mais a respeito de como o par combate o fungo mortífero.

Para os amantes solitários em busca de sua cara metade especial, a Dra. Camacho Badani tem um recado: "Nunca desistam de procurar seu final feliz".

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