Paul Rogers/The New York Times
Paul Rogers/The New York Times

Aceitação da obesidade representa risco para a saúde

Especialistas em saúde pública alertam que aceitar o sobrepeso pode elevar casos de doenças como hipertensão, diabetes e alguns tipos de câncer

Jane E. Brody, The New York Times

29 Março 2018 | 10h15

Olhe ao seu redor e é provável que você veja muitas pessoas com sobrepeso ou obesas. Talvez você esteja entre elas e pese: "Tudo bem. Eu não sou diferente de ninguém, então, qual é o sentido de travar mais uma batalha perdida contra a balança?”.

Você não está sozinho. Uma forma sutil de pressão dos colegas convenceu muitos de que é aceitável ser significativamente mais pesado do que as faixas de peso “normais” listadas no índice de massa corporal (IMC) ou gráfico de peso vs. altura do médico.

Mary A. Burke, economista do Federal Reserve Bank de Boston (Fed, o banco central americano), que estuda normas sociais, participou de um estudo em 2010 que descobriu que uma proporção crescente de adultos com excesso de peso - 21% das mulheres e 46% dos homens (alta de 14% e 41%, respectivamente, na década de 1990) - consideram seu peso “aceitável”. E um estudo publicado na revista científica Journal of the American Medical Association (JAMA), no ano passado, descobriu que menos adultos com sobrepeso ou obesos estavam tentando perder os quilos em excesso.

Especialistas em saúde pública temem que essa tendência à “aceitação da gordura” seja um mau presságio para o bem-estar futuro e os custos crescentes de doenças crônicas relacionadas ao peso, como doenças cardíacas, hipertensão, diabetes tipo 2 e mais de uma dúzia de tipos de câncer. Como Burke escreveu em uma edição recente da JAMA dedicada à obesidade, a saúde pública e os médicos temem que “indivíduos que não acreditam que estão acima do peso, ou que veem a obesidade de maneira positiva, são menos propensos a procurar tratamento para perda de peso.

Em um editorial na JAMA, Edward H. Livingston, cirurgião bariátrico da faculdade de Medicina da universidade do sudoeste do Texas, sugeriu que talvez uma mensagem diferente - que incentiva atividades físicas - faria mais para melhorar a saúde dos pacientes “do que continuar a aconselhar a perda de peso quando essa mensagem é cada vez mais ignorada”.

Há muitas razões para o aumento da obesidade, entre elas o crescente emprego de mulheres fora de casa, contribuindo para o declínio da comida caseira; maior dependência de alimentos embalados e processados; a ascensão de fast foods, serviços de entrega de comida, refeições em restaurantes; e um declínio proporcional no ritmo de atividade física. Resultado: mais calorias dentro e menos fora.

Várias décadas de dietas comerciais para perda de peso, desde a low-carb até a dieta Atkins, cada uma alegando ser a melhor maneira de se livrar da gordura indesejada com pouco ou nenhum sacrifício ao sabor e à saciedade, atraíram aqueles que lutavam contra o ganho de peso. A maioria, no entanto, envolveu uma mudança radical nos hábitos alimentares das pessoas, que raramente era sustentável. 

Depois de um tempo, as pessoas voltavam aos velhos hábitos e recuperavam o peso eliminado, muitas vezes mais do que haviam perdido.

Como Livingston declarou, “proporcionar aos pacientes a falsa esperança de que se reduzirem apenas uma classe de alimentos ou outros (por exemplo, carboidratos ou gorduras) perderão peso pode se tornar frustrante e explicar parcialmente o fracasso da maioria das dietas".

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