U.S. Geological Survey, via Associated Press
U.S. Geological Survey, via Associated Press
Robin George Andrews, The New York Times

15 de fevereiro de 2019 | 06h00

No dia 30 de abril do ano passado, a cratera Pu'u 'O'o do vulcão Kilauea, no Havaí, ruiu. Foi o início de uma erupção que duraria meses, produzindo lava equivalente a 320 mil piscinas olímpicas que transformaria a paisagem e destruiria 700 lares.

Agora, o Observatório Vulcânico Havaiano do United States Geological Survey e outros cientistas publicaram uma detalhada linha do tempo da mais destrutiva erupção deste vulcão. Graças à iniciativa, os vulcanólogos puderam compreender melhor o funcionamento do mais perigoso vulcão dos Estados Unidos, o que pode ajudar a desvendar os segredos de vulcões semelhantes em todo o mundo.

O Kilauea, um dos muitos vulcões ativos da Ilha Havaí, está em erupção contínua desde 1983. Mas, em maio, uma nova sequência de erupções teve início em dois pontos focais: uma área lateral conhecida como baixa zona de rifte oriental, onde a superfície do vulcão se fragmenta gradualmente, e a cratera Halema'uma'u, ao oeste, no cume do Kilauea.

Christina Neal, a cientista encarregada de supervisionar o Observatório Vulcânico Havaiano, disse que tal confluência de eventos, observados durante meses, significou que esta erupção foi "de fato sem precedentes na história moderna".

O desabamento da cratera Pu'u 'O'o, em abril, localizada na zona de rifte oriental, pode ter coincidido com o colapso de uma barreira subterrânea, permitindo que o magma fluísse para a baixa zona de rifte oriental.

No dia 2 de maio, o lago de lava na cratera do cume do Halema'uma'u começou a esvaziar, e surgiram rachaduras na zona de rifte. No dia seguinte, a lava começou a fluir, levando à retirada dos moradores.

Um aumento na atividade sísmica detectada no cume coincidiu com um tremor de magnitude 6.9 sob o flanco sul do vulcão no dia 4 de maio, o maior registrado na ilha em 40 anos. É provável que o abalo tenha sido o resultado da pressão do magma contra a parte sul do vulcão, levando ao deslizamento de uma falha. Réplicas ainda eram sentidas este mês. Grandes explosões no cume foram registradas nos dias 15 e 17 de maio. Elas produziram colunas de fumaça de 3.700 e 9.150 metros de altura.

Já no início de junho, 24 fissuras tinham surgido na zona de rifte, com rios de lava fluindo a velocidades de até 100 metros cúbicos por segundo. No dia 2 de junho, o maior lago de água doce da ilha foi vaporizado em 90 minutos.

Em julho, correntes quentes ascendentes contribuíram para a formação de nuvens di tipo pirocúmulo. Emissões de dióxido de enxofre misturadas ao vapor d'água formaram uma neblina vulcânica sufocante. O encontro da lava com o Oceano Pacífico produziu uma mistura de ácido hidroclorídrico, partículas de vidro e vapor.

No dia 4 de agosto, a atividade vulcânica teve uma queda súbita. Quando o Parque Nacional dos Vulcões do Havaí foi reaberto, em 22 de setembro, a lava tinha coberto 35,5 quilômetros quadrados, com um colapso vertical de 500 metros no cume.

No dia 6 de dezembro, o USGS declarou que seria "muito improvável" a retomada da erupção de 2018 na zona de rifte. Mas ainda há magma sob o cume e a zona de rifte, o que significa que uma erupção futura é certa.

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