Alex Hecht for The New York Times
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Agricultores descobrem diferentes espécies de abelhas polinizadoras

Com o colapso das abelhas apis, a abelha-azul, mamangava e Nomia melanderi ganham espaço

Catherine M. Allchin, The New York Times

07 Setembro 2018 | 15h15

OMAK, WASHINGTON - Jim Freese tem um pomar de maçãs, pêras e cerejas numa área de 45 acres na parte norte central deste estado.

Freese lembra que, quatro anos atrás, suas árvores estavam produzindo pouco e a fazenda tinha problemas financeiros. Como muitos do seu ramo, ele vinha contando com abelhas apis alugadas para a polinização de suas cerejeiras na primavera, além de abelhas silvestres e outras espécies de insetos.

Mas, naquele ano, esperava-se uma primavera fresca. “As abelhas apis simplesmente ficam na colmeia quando o clima está mais frio", disse Freese. Ele precisava de uma forma de garantir que um número maior de flores se desenvolvesse para o estágio de frutos.

Num encontro de horticultura, ele descobriu que as abelhas-azuis - uma espécie nativa que não produz mel nem vive em colmeias - poderiam ser usadas para suplementar a polinização das apis. As abelhas-azuis voam mesmo com temperaturas mais baixas.

Freese comprou 12 mil casulos e os distribuiu pelo pomar, para que as abelhas emergissem quando as árvores florescessem. “Dobramos nossa produção anual de cerejas em relação ao recorde anterior", disse ele.

O pomar Freese é uma das muitas operações comerciais agrícolas dos Estados Unidos que buscam a polinização por meio de espécies alternativas de abelhas, agora que a abelha apis, que exerceu durante décadas a função de principal polinizadora, se encontra ameaçada por pesticidas, pragas, parasitas e baixa nutrição.

No ano passado, os apicultores americanos tiveram uma perda estimada em 40% das colmeias sob sua gestão, de acordo com a organização Bee Informed Partnership, que oferece orientação aos apicultores.

Em alguns anos esse número é ainda maior, de acordo com Mark Winston, professor de apicultura da Universidade Simon Fraser, na Colúmbia Britânica.

“Há algum outro empreendimento agrícola que aceita uma perda anual de 40% a 45% dos seus animais?” perguntou ele. Essas perdas elevam os custos para os agricultores que alugam as abelhas apis para a polinização de suas culturas, tornando seu negócio mais difícil de manter. 

Os preços das abelhas apis aumentaram quase 400% desde 2004, e a demanda por serviços de polinização continua aumentando.

Muitas culturas - como amêndoas, maçãs, mirtilos, pêras e tomates - precisam da polinização. Alguns cientistas alertam para o risco ao qual o fornecimento de alimentos está exposto caso haja escassez de polinizadores.

Conforme o preço das abelhas apis continua subindo, os agricultores estão procurando outros tipos de abelhas - como a abelha-azul, a mamangava e a Nomia melanderi - que se mostraram polinizadoras eficazes de determinadas culturas sob algumas circunstâncias.

Pesquisadores americanos pesquisam como a chamada polinização integrada de culturas - a combinação de diferentes tipos de espécies de abelhas - pode ajudar os agricultores garantindo uma polinização confiável.

Das milhares de espécies de abelhas da América do Norte, apenas quatro além da apis são usadas em escala comercial nos EUA (as abelhas silvestres também fazem contribuições importantes para a polinização de culturas).

A mamangava pode ser uma alternativa eficaz à apis para a polinização de melancias e mirtilos. A Nomia melanderi, que faz seu ninho no chão, é responsável por polinizar a maior parte da alfafa destinada à produção de sementes. A abelha-azul é uma alternativa para as árvores frutíferas e castanheiras.

As abelhas-azuis são nativas da América do Norte e estavam aqui muito antes da chegada dos europeus, que trouxeram suas próprias colmeias de apis. A polinização dos maiores pomares de cerejeiras e amendoeiras aumentou quando as azuis foram usadas junto com as apis, de acordo com estudos recentes.

As abelhas apis vão longe em busca de alimento, reproduzem-se sozinhas e vivem em colmeias grandes e fáceis de transportar. As abelhas-azuis são solitárias, e todas as fêmeas funcionam como rainhas e operárias. Seu voo dura de quatro a seis semanas no início da primavera.

Os dois tipos de abelhas coletam o pólen por meio de técnicas diferentes - a apis recolhe o pólen apenas nas pernas, enquanto a abelha-azul também o recolhe com o abdômen. A altura do seu voo também é diferente.

Jim Watts, da Watts Solitary Bees, de Bothell, em Washington, trabalhou a vida inteira com abelhas Nomia melanderi e começou a criar abelhas-azuis há uma década. Ainda que seja muito pequena, a indústria de abelhas-azuis está crescendo rapidamente.

Um dos maiores distribuidores de abelhas solitárias do país, Watts se reúne com os agricultores para falar a respeito de polinização. Com base no seu tipo de solo e cultura, ele oferece as abelhas, o material e a disponibilidade para responder às perguntas.

“Há uma curva de aprendizado nos primeiros dois anos", disse ele. “Conforme as pessoas aprendem a lidar com as abelhas-azuis, o retorno que obtêm do seu investimento aumenta.”

“Nossa abordagem é pensar na possibilidade de um maior rendimento da colheita, mas sem descuidar da gestão de riscos", acrescentou Watts. “Duas abelhas trabalhando juntas funcionam melhor. Sua polinização é diferente, mas, com a diversificação das abelhas, obtém-se uma polinização mais consistente ao longo do tempo.”

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