Enrique Calvo/Reuters
Enrique Calvo/Reuters

Airbnb é proibido em cidade da Espanha

Moradores temem que excesso de turistas arruíne Palma, em Maiorca

Raphael Minder, The New York Times

07 Julho 2018 | 10h45

PALMA, MAIORCA - No verão, Maiorca e suas ilhas irmãs ao largo da costa oriental da Espanha eram outrora um destino discreto para os ricos, famosos e cultos. No século 19, o compositor Frédéric Chopin e sua companheira, a escritora George Sand, foram alguns dos que procuraram seu clima mediterrâneo.

As celebridades continuam chegando, no entanto, mais recentemente, as linhas aéreas que vendem passagens econômicas e pacotes turísticos têm contribuído para aumentar a afluência de pessoas, como os britânicos e outros que buscam férias baratas e com muita bebida.

A situação chegou a tal ponto que alguns hotéis no porto de Magaluf fecharam suas sacadas com painéis de vidro para impedir que clientes embriagados pulem dali. Em geral, eles aterrissam em piscinas, mas às vezes não. No início de junho, um turista de 20 anos tornou-se a segunda pessoa a morrer, este ano, com a queda.

Depois há Palma, a capital da ilha, mais tranquila, da moda, a cerca de meia hora de automóvel ao longo da costa, onde o prefeito está montando seu próprio tipo de barreira para os turistas: ela se tornou a primeira cidade espanhola a proibir o aluguel de apartamentos por temporada pelo Airbnb e outros sites de compartilhamento de habitações.

“Queremos que Palma permaneça habitável para seus moradores”, disse o prefeito, Antoni Noguera. “Acreditamos estar lançando uma tendência, porque há muitas cidades da Europa que têm o mesmo problema”.

O Airbnb e outros já enfrentam uma reação. Amsterdam e Paris são algumas das cidades europeias que decidiram limitar o número de dias pelo qual as pessoas podem alugar seus apartamentos. Restrições diferentes entraram em vigor em toda a América do Norte, de Vancouver a Nova York.

Mas talvez Noguera tenha razão em pensar que sua cidade está levando a repressão um pouco mais adiante. De acordo com as novas normas de Palma, somente os proprietários de casas distantes poderão alugá-las para turistas. Quem quer oferecer um aluguel por tempo limitado em um edifício de apartamentos corre o risco de ser multado em até 40 mil euros.

Os críticos do Airbnb afirmam que querem conter, e não diminuir o turismo. O setor, afinal de contas, representa cerca de 40% do Produto Interno Bruto de Maiorca.

Mas eles consideram os aluguéis por temporada um ataque frontal ao tecido social de sua cidade, reduzindo a oferta de habitações e tornando Palma inatingível para seus 440 mil habitantes. No ano passado, segundo estudos, os preços no mercado da habitação secundária de Palma foram os que mais subiram entre as cidades espanholas.

Cansados dessa situação, moradores penduraram cartazes em suas sacadas mostrando uma mulher com um carrinho de compras que usava uma bengala para afastar  turistas com seus braços mecânicos para tirar selfies e as bagagens de rodinhas. “A cidade é para quem vive nela, e não para quem quer visitá-la”, dizem os cartazes.

Joan Miralles, presidente da Habtur, associação que representa os proprietários que alugam residências para turistas, disse que os políticos tornaram o Airbnb o bode expiatório de sua incapacidade em controlar o boom do turismo e em construir mais habitações acessíveis.

Ao contrário, ele afirma, os políticos cederam à pressão do lobby dos hotéis, em uma ilha que é a sede de cinco das maiores operadoras internacionais de hotéis da Espanha.

“Proibir o Airbnb em nada contribuirá para solucionar nossa crise da habitação, mas acabará com a democratização de um setor de turismo que passou a ser controlado por alguns oligarcas do setor hoteleiro”, disse Miralles.

Para Manel Domènech, líder de uma das associações de bairro que pressionaram pela proibição, os habitantes deveriam ter o direito de viver sem sofrer com os excessos do turismo.

“É ótimo que nosso vizinho comemore seu aniversário uma vez ao ano, e não ter uma festa semanal sobre a cabeça”, afirmou Domènech.

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