Jessica Lehrman para The New York Times
Jessica Lehrman para The New York Times

Em seu terceiro álbum, DaBaby busca consolidar-se no cenário rapper

Kirk, seu terceiro projeto em 12 meses, conta com Migos, Chance the Rapper e Gucci Mane, e estreou na primeira posição da lista de mais vendidos da Billboard

Joe Coscarelli, The New York Times

18 de outubro de 2019 | 06h00

LOS ANGELES - No início deste ano, o rapper DaBaby, da Carolina do Norte, estava em casa em Charlotte, quando foi acordado por uma série de telefonemas e mensagens. Primeiramente, veio a noticia de que seu pai tinha morrido. DaBaby, nascido Jonathan Kirk, não conseguia compreender a tragédia, em parte porque alguém não parava de ligar para ele na outra linha. Quando ele atendeu, era o seu agente. “Você é o número 1 - você conseguiu!”, lembra DaBaby. Baby on Baby, seu álbum de estreia de uma importante gravadora, chegara ao topo dos mais vendidos na lista de álbuns da Apple Music

O impacto emocional daquele momento, explicou, foi algo ao qual ele foi se acostumando mais ao longo do ano passado, quando a sua ascensão foi interrompida por ter se envolvido em um episódio violento que acabou em morte, e em numerosos supostos assaltos. “Precisei processar tudo isso enquanto trabalhava”, disse DaBaby, de 27 anos, que interrompeu uma turnê com todos os ingressos vendidos para enterrar o pai e voltar naquela mesma noite de avião, ao mesmo tempo em que gravava um novo álbum.

Kirk, o seu terceiro projeto em 12 meses, foi lançado no dia 27 de setembro no Interscope, que conta com Migos, Chance the Rapper e Gucci Mane, e estreou na primeira posição da lista de mais vendidos da Billboard. As 13 faixas começam com Intro, que menciona a morte do pai. Mas DaBaby volta logo para os ritmos vibrantes que são a sua marca registrada com um rápida cascata de frases moralizantes ameaçadoras e raps sobre sexo.

Embora a sua música predomine nos serviços de streaming, ele precisa também encontrar um equilíbrio estabelecendo uma marca confiável de homem de negócios e consolidar a sua chegada na fileira da frente do hip-hop, um gênero inconstante. Nos vídeos das emissoras de notícias e na internet do rap, DaBaby aparece esmurrando um aspirante a artista que o ameaçava; ele ainda espancou um fã, e se tornou réu em um processo depois que membros da sua equipe atacaram outro rapper, entre outros incidentes. E embora o caos não tenha comprometido a sua ascensão no pop dominante, parece algo insustentável.

DaBaby começou a fazer rap há apenas cinco anos. As distrações que se tornariam virais faziam parte do seu projeto inicial, como a época em que perambulava nos festivais South by Southwest de Austin, Texas, usando apenas uma fralda geriátrica e joias. "Por algum tempo, a minha presença na internet foi definitivamente maior do que a música”, disse. “Sou tão bom de marketing que, depois que me convenci de que eles estavam olhando, me voltei para a música”.

Agora, depois de anos de rap em que a melodia predomina, a dedicação de DaBaby para produzir principalmente rap contribui para distingui-lo. Pelo seu acordo com o South Coast Music Group, ele assinou um acordo de distribuição com a Roc Nation, de Jay-Z, para a coletânea Blank Blank, que se revelaria o seu sucesso definitivo no fim do ano passado. Mas a ascensão de DaBaby até o reconhecimento do seu nome esteve ligado a uma morte.

Em novembro de 2018, contou DaBaby, estava fazendo compras com a filha, a mãe e outra criança em um Walmart na Carolina do Norte quando dois homens o ameaçaram com uma arma. Durante a briga, ele atirou e matou um jovem de 19 anos. No fim, DaBaby foi considerado culpado de um crime menor - porte oculto de arma - mas não foi acusado pela morte. A promotoria do Condado de Mecklenburg informou que “não pôde provar, além de toda dúvida razoável, que o réu não agiu em legítima defesa”.

DaBaby só comentou que foi “abençoado”, e que o fato de ter escapado da morte por pouco constituiu uma motivação para continuar realizando mais. Um grupo de nove crianças ficou olhando para o astro em ascensão em uma visita recente a Los Angeles. Elas ficaram boquiabertas até que uma delas criou coragem e pediu uma foto dele com o grupo.

DaBaby hesitou antes de concordar para tirar a foto com o grupo. Quando as crianças estavam indo embora, discretamente ele deu uma nota de US$ 100 a um dos meninos e recomendou que dividisse o dinheiro com os outros, depois saiu de carro enquanto eles gritavam de felicidade. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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