Trent Davis Bailey/The New York Times
Trent Davis Bailey/The New York Times

Enquanto relança álbum, Jewel mantém projeto para ajudar saúde mental de jovens

Ela tem um novo single, "Grateful", e em 20 de novembro, para comemorar o 25º aniversário de Pieces of You, o álbum será relançado com uma versão demo de seu single de sucesso "You Were Meant for Me"

Ilana Kaplan, The New York Times - Life/Style

17 de outubro de 2020 | 05h00

Jewel, a cantora e compositora, tem quatro conselhos para lidar com a ansiedade: “Não veja o noticiário”, disse ela. “O segundo é observar qual é o ambiente e o clima que há em sua casa. O terceiro é começar uma prática de gratidão. Eu diria que o quarto é aprender a meditar”. Jewel, de 46 anos, que ganhou fama aos 20 com seu primeiro álbum de estúdio, Pieces of You, em 1995, começou a praticar "mindfulness" - uma forma de meditação que inclui estar consciente de seus sentimentos e pensamentos sem julgamento - quando era adolescente. Desde então, ela desenvolveu uma prática que inclui meditar por até uma hora todas as manhãs.

“A meditação é como ganhar músculos, ir à academia e fazer uma flexão de bíceps”, disse ela por telefone. “Mas se você não usar esse músculo durante o dia, isso não mudará sua vida.” Hoje, ela está em quarentena nas montanhas do Colorado com seu filho de oito anos, Kase Townes, e está profundamente preocupada com os efeitos da pandemia, agitação social e aumento do desemprego na sociedade: “Eu acho que há potencial para haver uma maior perda de vidas por consequências de saúde mental, mais possivelmente até mesmo do que pelo vírus, o que seria uma tremenda tragédia ”, disse ela.

Ela tem um novo single, "Grateful", e em 20 de novembro, para comemorar o 25º aniversário de Pieces of You, o álbum será relançado com uma versão demo de seu single de sucesso "You Were Meant for Me". Ela também fará um show online, apresentando o disco na íntegra.

Uma criação “caótica”

Nascida Jewel Kilcher, ela cresceu em Homer, Alasca, em um rancho de 300 acres a quilômetros da cidade mais próxima e sem encanamento interno. Seus pais tinham um show para turistas em um hotel local e, aos 5 anos, Jewel começou a cantar com eles. Três anos depois, ela começou a cantar em bares em Anchorage com seu pai. Ela se lembra de sua criação como "caótica". Seus pais se divorciaram. Seu pai, Atz Kilcher, um veterano do Vietnã que desenvolveu estresse pós-traumático, era então um alcoólatra ativo.

“Meu pai foi muito maltratado quando criança e repetiu alguns desses comportamentos”, disse Jewel, acrescentando que eles têm um ótimo relacionamento agora. "Pessoas machucadas machucam pessoas. Queremos transformar a pessoa em um vilão, mas é sempre alguém ferido que está ferindo alguém”.

Jewel disse ter saído de casa aos 15 anos e se mudado para uma pequena cabana em Homer. Aos 16, ela ganhou uma bolsa parcial para a Interlochen Arts Academy em Michigan, onde estudou formação vocal clássica e começou a escrever canções. Aos 18 anos, após se recusar a dormir com seu chefe no almoxarifado de informática onde trabalhava, ela disse que foi demitida e morava em seu carro, por não poder pagar o aluguel.

“Desde muito jovem, eu vi homens colocando fichas telefônicas na minha mão, dizendo: ‘Me liga quando tiver 16 anos’”, disse ela. Ela começou a ter ataques de pânico e problemas renais. “Quase morri no estacionamento de um pronto-socorro, pois não quiseram me atender porque eu não tinha seguro de saúde”, disse.

Ela também começou a furtar em lojas como uma forma de amor-próprio. Para quebrar este hábito, decidiu desenvolver um novo. “Toda vez que eu queria roubar, eu me obrigava a escrever”, disse. “E acabei me tornando muito prolífica.” A experiência inspirou sua balada “Hands” em 1998. A partir daí, ela foi capaz de se sentir melhor novamente, ficando curiosa a respeito dos exercícios que ela poderia criar para si mesma. “Posso ficar viciada em coisas boas?”, ela disse que se perguntou.

Jewel, a ativista

Quase 20 anos atrás, Jewel deu início à Inspiring Children Foundation, um grupo sem fins lucrativos para ajudar no desenvolvimento de jovens em comunidades carentes. Em 2019, ela produziu o documentário “The Mindfulness Movement,” com Deepak Chopra. Recentemente, a fundação transmitiu conversas ao vivo com mentores, formadores de opinião e celebridades que são apaixonados por saúde mental.

“A única coisa para a qual usei minha fama foi para ser capaz de me aproximar a uma espécie de especialistas superestrelas”, disse ela. Ao lado de Judson Brewer, neurocientista e professor da Escola de Medicina da Universidade de Massachusetts, Jewel criou um currículo para sua fundação para jovens.

“Trabalhamos com crianças que têm ideação suicida e extrema ansiedade e depressão que vêm de ambientes muito, muito traumáticos”, disse. “Elas não têm acesso a terapeutas, nem dinheiro para terapeutas. E assim, oferecemos a elas este kit de ferramentas de atenção plena emocional que funcionou comigo.”

Para atingir um público maior, Jewel e Brewer disponibilizaram o programa gratuitamente em um site separado que explora a meditação e o que Jewel chama de "atenção plena em movimento" ou "exercícios praticáveis". O site apresenta uma série de exercícios e planilhas com foco na reciclagem do seu cérebro, perdão, gratidão e muito mais. Os interessados também podem discutir os tópicos dos exercícios e seu progresso em um fórum da comunidade.

Em 10 de outubro, Dia Mundial da Saúde Mental, ela apresentará o The Wellness Experience, um evento gratuito com transmissão ao vivo e um show com a estrela e cantora do YouTube Frankie Grande, para arrecadar dinheiro para a assistência à saúde mental e sugerir maneiras de os participantes melhorarem seu próprio estado de espírito. “É importante que as pessoas entendam que há muito que você mesmo pode fazer para se sentir melhor”, disse Jewel.

E como ela está se sentindo? A quarentena "não tem sido muito dolorosa", disse Jewel. Por causa da atenção plena, claro, mas também: "Tenho muita sorte de estar na natureza. Ainda podemos sair e ficar sozinhos e não nos aproximar de outras pessoas.” / TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

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