Myriam Meloni para The New York Times
Myriam Meloni para The New York Times

Aldeia espanhola vê esperança de sobrevivência em suas raízes romanas

Em toda a Espanha, muitas aldeias estão fadadas à extinção

Raphael Minder, The New York Times

06 Junho 2018 | 15h00

DRIEBES, ESPANHA - Os 339 moradores de Driebes têm razões para se preocupar. Na aldeia só restou um pastor, de 82 anos. A escola, construída para 50 crianças, agora tem apenas 11. Nenhum nascimento foi registrado este ano.

Dentro de 20 anos, a evolução demográfica de Driebes deverá reduzir a população a menos de 200 habitantes, segundo o prefeito, Pedro Rincón.

É por isso que ele e seus eleitores ficaram tão animados no verão passado quando arqueólogos descobriram, em uma área plana em frente ao Rio Tejo, os primeiros vestígios do que foram outrora uma mina e um assentamento agrícola romanos, Caraca, com um fórum, banhos públicos e aproximadamente 1.800 moradores, várias vezes o tamanho da população de Driebes nos dias de hoje.

Agora, Driebes está ansiosa por retomar as escavações de Caraca, na esperança de que o passado romano possa garantir o futuro da aldeia como destino turístico.

Talvez este seja apenas um sonho. Mesmo assim, em abril, a aldeia organizou uma competição em que 19 grafiteiros cobriram os muros ao redor de Driebes com murais sobre temas romanos.

“Sinto orgulho em ver o povo desta aldeia aplaudir com tanto entusiasmo um projeto de escavação, principalmente porque a arqueologia não deveria tratar apenas da descoberta de antiguidades, mas também transmitir conhecimento aos que hoje vivem aqui”, disse David Alvárez Jiménez, um historiador que trabalha no projeto de Caraça.

Até os anos 1950, Driebes tinha uma população de cerca de 1.200 pessoas, nada desprezível para uma aldeia em uma região conhecida como “a Lapônia da Espanha” por causa de sua população esparsa. Quando a agricultura foi minguando, os moradores se mudaram para as cidades dormitórios, e as fábricas, construídas ao redor de Madri, a capital da Espanha, a apenas 80 quilômetros de distância.

O governo espanhol anunciou que está elaborando um plano para fazer frente à diminuição da população no campo, particularmente neste amplo e árido trecho de terra onde vivem em média menos de oito habitantes por quilômetro quadrado. Acima de tudo, as estatísticas nacionais da Espanha mostram que mais da metade das prefeituras do país correm o risco de cessar de existir. Como muitos outros lugarejos, Driebes se manteve viva graças aos subsídios regionais, nacionais e europeus.

A população de Driebes aumenta nos fins de semana e durante as férias de verão, com a volta dos antigos moradores para assistir às festividades tradicionais da aldeia e descansar da vida da cidade.

Nos fins de semana, María Teresa Vadillo Sánchez, que mora a cerca de 50 quilômetros de distância, retorna com as filhas para a casa da família onde agora sua mãe vive sozinha.

Os arqueólogos aconselham cautela com as expectativas. “É fabuloso que a população local esteja interessada, mas as escavações são lentas e dispendiosas”, afirmou Emilio Gamo, um dos arqueólogos de Caraca. “Por isso as pessoas deveriam também saber que a dinâmica da arqueologia não é necessariamente a mesma de um projeto destinado ao turismo”.

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