Nanna Heitmann para The New York Times
Nanna Heitmann para The New York Times

Alemanha considera um novo tipo de combustível

Um novo terminal de gás reduziria a dependência em relação à Rússia

Stanley Reed, The New York Times

15 de novembro de 2019 | 06h00

WILHELMSHAVEN, Alemanha - Um cais recorta mais de um quilômetro adentro o Mar Frísio a partir da baixa elevação da costa norte da Alemanha. Atualmente utilizado por uma indústria química, o píer poderia se tornar o endereço do primeiro terminal de gás natural liquefeito no país.

Wilhelmshaven, uma cidade portuária de 80 mil habitantes, está entre as poucas candidatas para um projeto - apoiado pelo governo alemão - que abriria a maior economia da Europa para o gás natural liquefeito, conhecido como GNL.

Criado a partir do resfriamento do gás natural até chegar na sua forma líquida, o combustível é comercializado globalmente, como o petróleo. O GNL é embarcado em navios especializados que podem atracar em qualquer lugar que conte com um terminal e um sistema de distribuição com uma capacidade substancial de inserir esse combustível na rede de abastecimento do país.

Para a Alemanha, maior consumidora de gás natural na Europa, um terminal de GNL ofereceria uma alternativa ao gás que chega pelo gasoduto da Rússia, seu maior fornecedor, e daria ao país centro-europeu uma alternativa para poder receber combustível do Catar, dos Estados Unidos ou de outros lugares.

A empresa alemã de energia Uniper e outras companhias têm considerado construir uma unidade de processamento de GNL em Wilhelmshaven há décadas. 

“O atual momento do mercado é muito bom para desenvolver uma central dessas”, afirmou Niels Fenzl, um dos vice-presidentes da Uniper.

Faz tempo que a Alemanha depende do gás natural da Rússia, da Noruega e de outros países. O gás que chega por gasoduto tende a ser mais barato do que o GNL, que tem custos mais elevados de processamento e transporte. Mas há crescentes motivos para a Alemanha explorar o GNL como alternativa.

Em 2009, uma disputa de preços ocasionou uma interrupção de quase duas semanas nos envios da Rússia. E a Holanda, outro grande fornecedor da Alemanha, encara um prospecto de diminuição na produção de um campo de gás natural próximo da fronteira alemã por causa de terremotos causados pela exploração do gás.

O presidente Donald Trump também se inclinou na direção da Europa, e também da Alemanha, para exportar gás dos depósitos de xisto dos EUA, que produziram um excedente de combustível que está fluindo para as exportações na forma de GNL.

Fenzl afirmou que a Uniper está mais inclinada a utilizar uma plataforma flutuante em vez de uma instalação em terra como seu terminal. Embarcações se conectariam a tubulações para descarregar o GNL.

Fenzl afirmou que a empresa está analisando compromissos de outros fornecedores para desenvolver as instalações, assim como um potencial apoio do governo. Ele estimou o custo do projeto entre € 500 milhões e € 650 milhões.

A oposição de ambientalistas ao GNL poderia crescer, como já ocorreu em outros portos. O Mar Frísio é uma área única de planícies de lama e águas rasas, e ambientalistas afirmam que instalar um terminal lá poderia causar poluição, e os grandes navios poderiam danificar o fundo do mar.

Alguns ativistas também questionam se a Alemanha - que parou com a fragmentação hidráulica, técnica que injeta água em poços de gás para quebrar as rochas e aumentar a produção - deveria construir um terminal para importar gás produzido com esse processo.

Em Wilhelmshaven, líderes cívicos consideram que o terminal de GNL serviria como estímulo para os esforços da cidade para desenvolver atividades portuárias localmente.

O tráfego no porto caiu drasticamente durante a crise financeira que começou em 2008, mas está recuperando o movimento e atraindo novos negócios, afirmou John H. Niemann, presidente da Associação Portuária de Wilhelmshaven.

O turismo também é importante para a região. As pessoas vêm admirar a faixa costeira. Fenzl afirmou que as pessoas também gostam de assistir às embarcações entrando e saindo do porto. Os cargueiros de GNL poderiam virar uma atração, afirmou ele. “Considero eles uma bela visão.” / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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