Atul Loke para The New York Times
Atul Loke para The New York Times

Amazon aposta em entregas no Himalaia

Com grandes ambições na Índia, a gigante da tecnologia contrata pequenas transportadoras para chegar a locais remotos

Vindu Goel, The New York Times

21 Julho 2018 | 10h45

LEH, ÍNDIA - Encarapitada nos montes do Himalaia, perto da fronteira da Índia com a China, às vezes parece que a cidadezinha de Leh foi abandonada pela moderna tecnologia. A internet e o serviço de celulares é irregular, as duas estradas que levam ao mundo exterior estão cobertas de neve todos os invernos e os mosteiros budistas competem com os postos avançados militares pelas melhores localizações no topo das montanhas.

Mas todas as manhãs, quando o dia clareia, pousa um avião de Nova Délhi trazendo de 15 a 20 pacotes da Amazon. Localizada a uma altitude de cerca de 3.500 metros, Leh é o lugar mais alto do mundo que a companhia atende com seu serviço de entregas.

O avião é recebido pelos funcionários da parceira local de entregas da Amazon, a Incredible Himalaya, que, então, transporta os pacotes de van até um modesto armazém nas proximidades. Eshay Rangdol, 26, sobrinho do proprietário, ajuda a supervisionar a separação dos pacotes e ele próprio faz várias entregas.

A Amazon começou a oferecer entregas em domicílio nesta região no fim do ano passado, como parte de uma iniciativa que visa melhorar o serviço para os recantos mais remotos da Índia. O volume de vendas em Leh aumentou 12 vezes desde que a Incredible Himalaya assumiu as entregas do serviço postal, que era muito mais lento.

Os parceiros locais do serviço como a Incredible Himalaya são vitais para a estratégia global da companhia americana, principalmente na tentativa de diversificar além das tradicionais empresas de entrega de mercadorias.

Em termos geográficos e culturais, Leh está próxima do Tibet, uma região controlada pela China. Os mosteiros budistas cuidam das necessidades espirituais dos 30 mil habitantes da cidade, e as unidades militares guardam a fronteira com a China, que continua em disputa.

Rangdol e os outros mensageiros chegam até os consumidores de motocicleta e de motoneta. As encomendas são entregues em um prazo de cinco a sete dias, mais demorado do que os costumeiros dois dias nas grandes cidades, mas mais rápido do que a viagem pelas montanhas do correio normal.

Rigzin Dolker, que espera um filho para este mês e trabalhou em call centers em Nova Délhi, acha a Amazon muito mais conveniente do que andar pela cidade. Ela comprou roupinhas de bebê e produtos de maquiagem.

Os soldados e os monges locais são os grandes clientes. Thinley Odzer, um monge do mosteiro de Kartse, recebeu uma mochila. Ele já comprou protetores de celulares e peças para sua moto.

Leh não pareceria o tipo de mercado que atrai a Amazon. Mas a empresa pensa no longo prazo. O comércio eletrônico está se espalhando em todo o planeta, e a Índia é um campo de batalha de grande importância, onde os clientes estão apenas começando a comprar online. 

O Walmart recentemente anunciou planos para a compra de uma participação majoritária que representará o controle da maior companhia de e-commerce da Índia, a Flipkart, permitindo-lhe competir diretamente com a Amazon.

Segundo a estratégia adotada pela Amazon, os lucros auferidos de áreas densamente urbanas como Mumbai e Délhi subsidiarão o serviço para regiões mais remotas.

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