Matthew Staver|The New York Times
Matthew Staver|The New York Times

Americanos veem mudanças em leis que combatem vícios

Nos EUA, legislação sobre o consumo de nicotina e maconha mudou ao longo das últimas décadas

Ilaria Parogni, The New York Times

11 Março 2018 | 10h00

"Eu era o cara que vendia a erva", disse Virgil Grant a “The Times” no mês passado. “Eles fumavam a minha erva”. Nos anos 1990, Grant era o traficante de maconha preferido por muitas celebridades do rap e do hip-hop, inclusive Snoop Dogg, Dr. Dre e Tupac Shakur. O seu negócio o levou para a cadeia por oito anos. Mas hoje, com três empresas regulares para a venda de cannabis, ele colhe os benefícios da legalização da maconha na Califórnia.

As leis e as atitudes em relação ao vício mudam com o tempo, e o tabagismo é um exemplo. Durante dezenas de anos no século passado, um maço de cigarros era um ato de rebeldia para os jovens - como James Dean fumando em “Juventude transviada”. Hoje, os adolescentes adoram o Juul, um cigarro eletrônico brilhante que parece um pen drive.

"O Juul dá uma sensação de atividade - você fuma o Juul enquanto queima as pestanas preparando-se para o exame sobre Theodore Dreiser ou trigonometria", escreveu Ginia Bellafonte em “The Times”. Os jovens estão fumando menos, consumindo menos álcool e até refrigerantes, fazendo menos sexo. Em vez disso, eles estão “vaporizando”.

"Há toneladas dessa coisa", falou a "The Times" Cassie Poncelow, conselheira da Poudre High School no Colorado. "As crianças ficam dando tragadas em suas 'canetas' pelos corredores".

Com a queda considerável da taxa de tabagismo entre adolescentes e adultos, a de consumo dos cigarros eletrônicos subiu na busca de uma alternativa ao fumo. Segundo Bonnie Herzog, analista de tabaco da Wells Fargo, o setor deverá crescer cerca de 15% para US$ 5,1 bilhões em vendas nos Estados Unidos este ano.

As mudanças nas leis que regulamentam  o consumo de maconha nos Estados Unidos - onde oito estados e o Distrito de Columbia agora legalizaram o uso recreativo da maconha, que já é legal para uso medicinal em 29 estados - oferecem uma quantidade de novas oportunidades de negócios.

O fundamental para a expansão do mercado é a diversificação - de produtos e da clientela. Gomas de gelatina, produtos de panificação, óleo para vaporizar e velas perfumadas destinam-se a um consumidor mais convencional. "A erva não é uma novidade, mas durante muito tempo foi preciso ir a uma boca de fumo para comprar um cachimbo de crack", disse Matthew Herman. "É interessante ver designs modernos, mínimos,  bonitos".

Algumas empresas fazem propaganda de seus produtos como tratamentos contra a ansiedade e a insônia. Outras, como a Cannabis Feminist, têm "sessões de fumo" para mulheres em que apresentam óleos para aumentar o prazer sexual. Tinturas e comprimidos à base de cannabis também tornaram-se muito difundidos para melhorar a qualidade de vida dos idosos.

"É mais parte de seu regime de bem-estar do que de seu regime em geral", afirmou Tom Adams da Arcview, empresa de pesquisa sobre Cannabis. 

O canabidiol, ou CBD, um óleo, também ocupa um nicho na indústria de beleza e hoje pode ser encontrado em loções para o corpo, bálsamos para os lábios e soros. 

A atriz Olivia Wilde, de Hollywood, agradece a Lord Jones pela loção de CBD. "O CBD tem benefícios para relaxar; a ideia é evitar o uso excessivo de analgésicos", ela afirmou a ‘The Times”.

Cresce o número de pessoas que têm a ganhar com seu emprego, como as escoteiras. Uma delas abriu uma loja ao lado de um dispensário de maconha em San Diego, depois de perceber uma oportunidade em lanches. Ela vendeu mais de 300 caixas em seis horas.

"Foi enorme o apoio do público em todo o país a esta jovem empreendedora e as suas criativas estratégias de marketing", disse a proprietária da loja.

Mais conteúdo sobre:
maconha Canabidiol cigarro [tabagismo]

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.