Jasper Juinen para The New York Times
Jasper Juinen para The New York Times

Amsterdã adota medidas para melhorar comportamento de turistas

O aumento no número de visitantes, muitos atraídos pela legalidade da maconha e da prostituição, tem causado problemas à capital holandesa

Christopher F. Schuetze, The New York Times

15 Novembro 2018 | 06h00

AMSTERDÃ - Este não é um problema que preocupa muitos destinos de férias ou que exija gastos para ser corrigido. Mas tornou-se um desafio para Amsterdã, cidade que nos últimos dez anos viu um aumento de 60% do número de visitantes, favorecidos por passagens aéreas baratas, acomodações a preços convenientes e pela facilidade com que é possível viajar em razão das fronteiras abertas da Europa.

Cidade de canais centenários, com um vibrante centro histórico e um florescente cenário artístico, Amsterdã tem orgulho de suas riquezas culturais. Entretanto, nota-se cada vez mais que alguns visitantes  estão mais interessados em programas menos inspiradores do ponto de vista intelectual - principalmente maconha e prostituição, ambos em grande parte legalizados.

Em julho, depois de uma visita ao bairro das luzes vermelhas no setor De Wallen da cidade, a prefeita Femke Halsema anunciou um conjunto de medidas que visam conter o mau comportamento. Entre elas está a cobrança no local de multas de 140 euros, ou cerca de R$ 600, para quem urina em público, se embebeda ou faz barulho excessivo (agentes da ordem estarão equipados com dispositivos portáteis para receber pagamentos com cartão). Houve também investimento para a limpeza rigorosa das ruas, bem como para a contratação de novas "recepcionistas" treinadas para fornecer informações e lembrar às pessoas que devem obedecer às normas: nada de bebedeiras nas ruas e nada de fotografar prostitutas.

Mascha ten Bruggencate, funcionária da prefeitura encarregada da aplicação das novas medidas, apontou um lugar óbvio para começar: "O bairro das luzes vermelhas, que é o símbolo do problema".

Em uma noite de segunda-feira, Stoofsteeg, uma rua do bairro ladeada por vitrines iluminadas com luzes vermelhas, estava tão lotada de turistas olhando embasbacados as mulheres expostas, que avançar 50 metros levou pelo menos 15 minutos de empurra-empurra e confusão. Um casal com um carrinho de bebê desistiu depois de alguns minutos.

No ano passado, Amsterdã foi visitada por 20 milhões de turistas. Nas horas de maior movimentação nos finais de semana, passam pela avenida - ou tentam passar - até 6 mil visitantes por hora, segundo a prefeitura.

Em 2016, foram adotadas medidas destinadas a melhorar a experiência de uma visita a Amsterdã. Foram proibidas as bicicletas de cerveja (uma espécie de bar aberto sobre rodas) e foi feito um acordo para que o Airbnb realizasse a cobrança de uma taxa turística.

Além das medidas mais recentes, há uma campanha por que visa principalmente britânicos e holandeses entre 18 e 34 anos. Os anúncios lembram os visitantes que beber e cantar alto pela rua implicará na cobrança de multas pesadas.

A campanha utiliza também anúncios pelo Facebook e pelo Instagram. E a tecnologia da marcação geográfica, que usa o GPS para mostrar a localização de um usuário de celular, ajuda a enviar as mensagens a grupos que se dirigem para o centro da cidade.

Mas a prefeitura apoia também uma estratégia mais low-tech, chamada "Eu moro aqui", um movimento organizado por moradores. Edwin Schölvinck, um dos organizadores do grupo, que vive em De Wallen, admitiu que alguns turistas precisam se comportar melhor, mas afirmou que não quer que se sintam excluídos.

"Gosto dos turistas e acho ótimo que as pessoas venham para cá para se divertir”, afirmou.

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