Pixabay
Pixabay

Até o ponto G foi nomeado em homenagem a homens

Trompa de Falópio, folículo graafiano, bolsa de Douglas são outros exemplos; Por que tantas partes do corpo feminino homenageiam cientistas do sexo masculino?

Rachel E. Gross, The New York Times - Life/Style, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2021 | 05h00

"Pudendum" não é o único termo questionável em torno da pélvis feminina. Pegue um mapa desta região e você enfrentará uma série de pontos de referência desconhecidos: o canal de Alcock, a bolsa de Douglas, as glândulas de Bartholin, as trompas de falópio. Todas essas partes do corpo são nomeadas em homenagem às supostas pessoas que as “descobriram”. São relíquias de uma época em que o corpo feminino era considerado terra incógnita para as grandes mentes da medicina explorarem, vigiarem e reivindicarem.

Mas esses termos podem sair da medicina. Cientificamente, os anatomistas desaprovam o fato de dar nomes de pessoas a essas partes por vários motivos. Esses termos são inúteis, oferecendo poucas informações sobre o que qualquer parte do corpo realmente faz. Eles são confusos: Sobrenomes às vezes disputam a mesma parte (por exemplo, os Corpos de Arantius também são conhecidos como Nódulos de Morgagni), e alguns sobrenomes adornam múltiplas partes (Gabriele Falloppio reivindica um tubo, um canal, um músculo e uma válvula, sem mencionar uma planta florida de trigo sarraceno). Finalmente, eles dão a impressão infeliz e desconcertante de que a medicina (e a pélvis feminina) ainda é um antigo clube masculino.

Esses termos foram oficialmente banidos da medicina em 1895. Extraoficialmente, eles estão em toda parte. Uma contagem recente encontrou pelo menos 700 no corpo humano, a maioria dos quais herdou seus nomes de homens. (Uma das poucas mulheres no mapa do corpo é Raissa Nitabuch, uma patologista russa do século 19 cujo nome está ligado a uma camada da placenta em maturação chamada membrana Nitabuch.) Eles persistem porque são memoráveis, reconhecíveis e - para os médicos, pelo menos - familiares. Aqui está um guia de alguns dos termos mais conhecidos relacionados à pelve feminina, e como você pode chamá-los.

Trompa de Falópio

Nome oficial: Tuba uterina

Gabriele Falloppio (1523-62), um padre católico e anatomista, observou que essas estruturas delgadas em forma de trombeta conectam o útero aos ovários. Na época, os cientistas ainda não sabiam se as mulheres produziam óvulos ou “espermatozóides femininos”.

Folículo graafiano

Nome oficial: Folículo ovariano

Regnier de Graaf (1641-73), um médico holandês, foi o primeiro a observar óvulos de mamíferos - bem, quase. O que ele realmente viu foram as protuberâncias nodosas no ovário, agora conhecidas como folículos, que contêm o óvulo, fluido e outras células.

Glândulas de Bartholin

Nome oficial: Glândulas vestibulares maiores

Caspar Bartholin, o Jovem (1655-1738), um anatomista dinamarquês, descreveu um par de glândulas em cada lado da abertura vaginal que se ligam a dois sacos do tamanho de uma ervilha que produzem um fluido lubrificante.

Bolsa de Douglas

Nome oficial: Escavação retouterina

James Douglas (1655-1738), obstetra escocês e médico da rainha Caroline, tem a duvidosa honra de ter seu nome associado a um beco sem saída de carne que se estende da parte posterior do útero até o reto.

Glândulas de Skene

Nome oficial: Glândulas Parauretrais

“Não sei nada sobre sua fisiologia”, declarou Alexander J.C. Skene (1837-1900), um ginecologista escocês-americano, descrevendo um par de glândulas que ladeiam a uretra feminina. As glândulas secretam um líquido leitoso que lubrifica a área e pode ajudar a prevenir infecções do trato urinário.

Ponto G, ou ponto de Gräfenberg

Nome oficial: Clitóris interno (possivelmente)

Em 1950, Ernst Gräfenberg (1881-1957), um ginecologista alemão, descreveu uma área particularmente sensível mais ou menos na metade da vagina (no lado do ventre) e a considerou "uma zona erótica primária, talvez mais importante do que o clitóris". Muitos cientistas agora acham que ele estava simplesmente descrevendo a raiz do clitóris, onde os tecidos eréteis se unem ao redor da uretra.

Músculos Kegel

Nome oficial: Músculos do assoalho pélvico

O trampolim em forma de taça dos músculos que revestem a pélvis óssea e suportam a bexiga, o reto e o útero têm o nome informal de Arnold Kegel (1894-1972), um ginecologista americano que recomendou exercitá-los após o parto. Estes músculos são também vitais para a micção, orgasmo e retenção de flatos. /TRADUÇÃO LÍVIA BUELONI GONÇALVES

The New York Times Licensing Group - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito do The New York Times

Tudo o que sabemos sobre:
corpo humanoginecologiamedicinamulher

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.