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Andando pelas ruínas pré-incaicas no Peru

As antigas ruínas de Kuélap só se tornaram uma atração turística em 2012

Jada Yuan, The New York Times

30 Maio 2018 | 10h15

O silêncio envolvia mais de 400 habitações e edifícios cerimoniais que constituem o mais importante assentamento dos Chachapoyas, “Os guerreiros das nuvens”. Mais adiante, erguiam-se muros de calcário de mais de 20 metros de altura. A vegetação crescia nas rachaduras das pedras, e bromélias vermelhas agarravam-se às árvores cobertas de musgo. Em todas as direções, estendia-se uma espécie de cenário formado por um tabuleiro de campos cultivados nos flancos das montanhas, acima do vale do Rio Utcubamba.

Comigo estavam duas colegas de Nova York nesta visita às ruínas pré-incaicas de Kuélap, no Peru. 

Depois de andar por muitas horas entre as ruínas, mal conseguíamos falar.

“Acho que gosto mais deste lugar do que de Machu Picchu”, observou uma das minhas companheiras.

Às vezes chamada de “Machu Picchu do Norte”, Kuélap recebeu 60 mil visitantes no ano passado, em comparação com 30 mil em 2009. Machu Picchu recebeu um recorde de 1,4 milhão em 2016, e precisou adotar normas mais rígidas para restringir o ingresso no local. Imaginem Kuélap como um tipo semelhante de espaço espiritual, menos as filas e os agressivos vendedores de souvenires. Os arqueólogos exploraram apenas 20%, senão menos, deste sítio - e o turismo aqui só começou com força por volta de 2012.

Mas chegar até lá exige um esforço hercúleo. Os visitantes que viajam com recursos apertados, costumam ir até a cidade de Chiclayo, na costa noroeste do país, e dali pegar um ônibus à noite para enfrentar uma viagem de 10 horas pelas montanhas. Dispondo de pouco tempo e preocupadas com os furtos nos ônibus, como nos haviam avisado, preferimos pegar um avião até a cidade de Jaén, na selva. Dali, ainda tivemos de encarar um percurso de três horas e meia de carro através dos Andes até o nossos hotel recém-construído, Casa Hacienda Achamaqui.

Depois de mais 50 minutos de carro por uma estrada de terra, chegamos a Nuevo Tingo, onde um teleférico levou 20 minutos para percorrer quatro quilômetros sobre várias ravinas. Então, mais 20 minutos de subida a cavalo pela montanha.

Nas ruínas, o nosso guia, Michel Richard Feijóo Aguilar, nos mostrou desenhos em formato de diamantes nas pedras, que representam os olhos de animais sagrados como o jaguar, a serpente e o condor, e nos ensinou a identificar ossos humanos nas paredes das casas. A descoberta mais importante entre estes ossos foi a evidência de que os Chachapoyas realizavam a trepanação, uma forma de cirurgia do cérebro com a perfuração do crânio para aliviar a pressão provocada por pancadas na cabeça.

Kuélap foi povoada de 500 a 1570. Os Chachapoyas sobreviveram a uma ocupação inca no final dos anos 1400, mas foram obrigados a abandonar o local pelo vice-rei espanhol Francisco Álvarez de Toledo. Os Chachapoyas remanescentes voltaram somente para enterrar seus mortos. “Kuélap é um enorme cemitério”, disse Feijóo Aguilar.

A seis horas de distância, após uma caminhada de 12 quilômetros, estão as quedas de Gocta. 

Tecnicamente duas cascatas, são algumas das mais altas do mundo. A admiração começou no início da trilha, que oferece vistas dramáticas. Mais de perto, é impossível ouvir outra coisa que não seja o rugido da água, rodopiando ao redor do que parecia o interior de uma nuvem no fim do mundo.

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