Agence France-Presse
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Andar descalço pode trazer vantagens para o corpo

Sapatos protegem os pés e absorvem parte do atrito produzido durante uma caminhada, mas também alteram os passos e podem aumentar a pressão e o desgaste das articulações

Gretchen Reynolds, The New York Times

31 de julho de 2019 | 06h00

Usar calçados modifica a maneira como os nossos pés interagem com o solo, segundo um estudo publicado na revista Nature, que examinou pessoas que andam com e sem sapatos, a situação de seus pés e as forças que elas geram a cada passo. O novo estudo mostra que quem anda, se movimenta de maneira diferente quando descalço ou com sapatos, e experimenta uma sensibilidade diferentes com o solo, o que pode afetar o equilíbrio e a carga para as articulações. Os resultados sugerem que pode haver vantagens em caminhar com os pés descalços, principalmente no que diz respeito à criação de calos.

Os seres humanos nasceram para caminhar. Os sapatos são novos para nós. Descobertas arqueológicas indicam que os seres humanos começaram a usar sandálias rudimentares há cerca de 40 mil anos. Antes disso, a natureza aparentemente determinara que a nossa melhor proteção para os pés nus seria a pele endurecida. Portanto, as pessoas que caminham sem sapatos criam calos duros nos calcanhares e na parte do pé perto dos dedos, que reduzem a sensação de dor quando pisam sobre objetos pequenos.

Daniel Lieberman, biólogo evolucionista de Harvard que, com vários colegas realizou grande parte da pesquisa inicial sobre a corrida com os pés descalços, começou a indagar se os calos protegem e guiam os pés durante a caminhada de maneiras diferente de quando andamos de sapatos.

Os pesquisadores fizeram um estudo no Quênia, e concluíram que as pessoas que cresceram caminhando sem sapatos tinham calos maiores e mais duros nos pés, entre 25 e 30% mais espessos do que muitos calos de um grupo que em geral usava calçados.

O mais inesperado é que os calos eram sensíveis, de maneiras especializadas. Os pesquisadores mediram as reações de nervos profundos na pele de pessoas com e sem calos, e notaram poucas diferenças. Outro teste não mostrou praticamente variações na sua maneira de andar, quer tivessem calos grossos quer não.

Nos Estados Unidos, pesquisadores observaram que os sapatos alteram a maneira de andar. Quando voluntários caminharam em esteiras descalços, pisaram no chão praticamente da mesma maneira dos que caminhavam usando sapatos no Quênia. Mas quando os mesmos voluntários calçaram tênis, sua maneira de andar se alterou de maneira sutil. Eles começaram a pisar no chão de modo um pouco mais leve, no começo, mas os impactos de cada passo permaneciam mais do que quando estavam descalços.

As descobertas sugerem que o que usamos nos pés define nossa maneira de caminhar, explicou Lieberman. Os sapatos protegem os nossos pés e absorvem parte do ligeiro baque produzido durante uma caminhada, mas também alteram os nossos passos e podem aumentar a pressão e o desgaste das nossas articulações. Os calos podem nos proteger de alguns desconfortos que experimentamos quando estamos descalços, mas não reduzem o nosso contato e sensação do solo. “Caminhar descalço pode ser divertido”, brincou Lieberman. Nos meses quentes, ele frequentemente tira os sapatos e cria novos calos. “Mas eu uso sapatos na maior parte do tempo”. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

 

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