Pixar/Disney
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Animadores explicam evolução tecnológica para criar ‘Toy Story 4’

Graças a novos avanços na tecnologia, Woody se tornou um ator melhor e com mais expressões

Darryn King, The New York Times

23 de junho de 2019 | 06h00

Em meados do ano, um dos astros mais versáteis atualmente em atividade voltará às telas. Nos 24 anos mais recentes, ele foi amarrado a um foguete, pendurou-se de um avião e sobreviveu a um desmembramento. Revelou-se um comediante nato, um destemido herói de filmes de ação e um convincente protagonista, ao mesmo tempo conservando a aparência jovial.

Estamos falando do xerife Woody, o boneco de pano dublado por Tom Hanks. “Woody nunca deixa a desejar", disse Pete Docter, diretor de criação da Pixar Animation Studios. “Ele parece ter muitas facetas, muitos ângulos interessantes, um personagem muito rico.”

Desde a estreia de Toy Story, em 1995, Woody, o protagonista, ofereceu ao público uma série de interpretações encantadoras e envolventes. Por trás delas temos o brilhante trabalho de dublagem de Hanks e uma equipe de animadores - cerca de 100 deles envolvidos somente na produção de Toy Story 4

Esses artistas compreendem que uma animação excelente depende do bom trabalho de atuação. “Somos todos introvertidos, praticamente atores que nunca saíram do armário", disse Becki Tower, uma das diretoras de animação do novo filme. “Nossa atuação é vista por meio de nossos personagens.”

A animação parece ser mais o trabalho de técnicos do que de atores inspirados. Usando Woody como sua marionete de alta tecnologia na tela, eles criam com muito esforço cada pose, cada movimento e expressão facial - quadro a quadro, cena por cena - até dar a ele a aparência de um personagem vivo. Toy Story 4 traz cenas emocionalmente delicadas que dependem de interpretações comoventes dos personagens animados, especialmente no caso de Woody.

“Desde o início, eu sabia que, como o filme lida com relacionamentos, seria necessário apostar alto no talento dos animadores para transmitir boa parte da emoção", disse o diretor do filme, Josh Cooley. “É muito parecido com o trabalho de um diretor tradicional, conversando com os atores. Mas, no meu caso, os atores são os animadores.”

Os animadores fazem sua lição de casa. Aprendem a desenvolver empatia em relação aos seus personagens, e investem os próprios sentimentos e lembranças nas interpretações. “O segredo é estabelecer um elo com algum momento de nossas próprias vidas, buscando inspiração em um lugar real dentro de nós mesmos", disse Robert Russ, supervisor de animação. O suporte da animação digital, com seu poder de detalhamento e a capacidade de ajustar minuciosamente os gestos e expressões de um personagem, abriu novas possibilidades cheias de nuances.

“Woody tinha um olhar muito expressivo em cena", disse Docter, referindo-se a um momento do Toy Story original, o primeiro longa-metragem de animação feito no computador, “diferente de tudo que eu tinha visto na animação tradicional. A sutileza dessas expressões e olhares era indicativa de uma vida interior, dos pensamentos que ocupavam a cabeça de Woody. Todos ficaram arrepiados".

Graças a novos avanços na tecnologia, Woody se tornou um ator melhor e mais controlado. O Woody de 1995 tinha 596 “avars” - ou variações animadas - que os animadores podiam manipular; o modelo atual tem 7.198 variantes. Em outras palavras, o rosto dele dispõe de mais expressões sutis, e os membros parecem mais relaxados. 

Os avanços no sombreamento e na qualidade das texturas também o deixaram mais bonito. Mas a interpretação de Woody também foi beneficiada pela sensibilidade dos animadores-atores que investiram muito tempo conhecendo seus trejeitos, chegando até a desenvolver afeto pelo personagem.

“Vivemos durante meses e meses na cabeça desses personagens, às vezes até anos", disse Becki. “Ficamos com a sensação de conhecê-los como se fossem nossos amigos, e as cenas ficam melhores porque compreendemos melhor quem eles são. Sabemos como usar suas expressões.” / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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