Mark Makela para The New York Times
Mark Makela para The New York Times

Quando animais selvagens atrapalham a rotina de moradores de Nova Jersey

Perus selvagens invadiram Toms River, perto do litoral de Nova Jersey, deixando os moradores furiosos e as autoridades perplexas

Matt Wasielewski, The New York Times

29 de dezembro de 2019 | 06h00

No começo, Don Kliem gostou dos novos visitantes que chegaram à cidade. “Mas eles logo ficaram ousados", disse Kliem, 81 anos, ao Times. “Batiam na porta… Bicavam para chamar nossa atenção.” Perus selvagens invadiram Toms River, perto do litoral de Nova Jersey, deixando os moradores furiosos e as autoridades perplexas.

“São aves do tipo não-se-meta-comigo", disse Vincent Landolfi Jr., de 61 anos, enquanto dezenas de perus cercavam seu lar em Toms River. Mas os funcionários do departamento de controle de animais não podem interferir com os perus a não ser que estejam doentes ou feridos. O estado recorreu à estratégia de atraí-los com milho para capturá-los com redes e transportá-los para longe.

Os mais sortudos seguirão vivendo em um santuário para animais na zona rural de Nova York. Foi um problema causado pelas próprias pessoas. Em meados do século 19, os perus selvagens desapareceram de Nova Jersey. Então, em 1977, biólogos reintroduziram 22 deles. Hoje, há no estado algo entre 20.000 e 23.000 perus selvagens.

As pessoas também são responsáveis por outra infestação animal, mais ameaçadora. Nas três décadas mais recentes, os humanos ajudaram os porcos selvagens a expandir seu território de 17 para 38 estados, de acordo com reportagem do Times. “Não se trata de um padrão natural de dispersão", disse ao Times o gerente do programa para suínos selvagens do departamento de agricultura dos Estados Unidos, Dale Nolte. “Eles são levados na caçamba de picapes e soltos para criar oportunidades de caça.”

Se os perus são praticamente inofensivos, os porcos selvagens podem devastar ecossistemas, arruinar colheitas e aterrorizar comunidades. Os animais causam um estrago anual calculado entre US$ 1,5 bilhão e US$ 2,5 bilhões, e podem demonstrar comportamento agressivo em relação às pessoas.

Em novembro, uma vara de porcos selvagens atacou e matou uma mulher no Texas quando ela chegava na casa de um casal mais velho para quem ela trabalhava. Os porcos são habitualmente encontrados no sul dos EUA, mas agora os porcos canadenses também se tornaram uma ameaça.

Importados para o Canadá como animais de corte e caça nos anos 1980 e 1990, os porcos escaparam ou foram libertados, e seus descendentes se espalharam pelo país.Alguns dos porcos se adaptaram ao frio desenvolvendo uma pelagem pesada, enquanto outros aprenderam a cavar sob a neve, criando verdadeiros iglus suínos.

Agências americanas estão monitorando a fronteira, temendo que os porcos ampliem seu território ao sul. “Se os porcos avançarem, o policiamento florestal pensa em fazer um ataque aéreo, caçando os porcos de aviões usando equipamento de alta tecnologia como óculos de visão noturna e mapeamento térmico", escreveu Jim Robbins no Times.

Enquanto as autoridades se preparam para uma guerra contra os porcos selvagens, defensores dos direitos dos animais estão desenvolvendo programas para auxiliar criaturas feridas por humanos ou que tiveram seus ecossistemas destruídos pelo desenvolvimento.

Robert Jones ajudou a fundar a Wildlife Resources and Education Network. Hospitais veterinários de poucos recursos usam o serviço para entrar em contato com voluntários em áreas rurais que localizam, apreendem e transportam animais feridos às instalações da rede para tratamento.

Os transportadores “são o Uber gratuito da mãe natureza", escreveu Gray Chapman, do Times, percorrendo longas distâncias para garantir a segurança dos animais. Mas até Jones sabe que há limites para o que os humanos podem - e devem - fazer. “Às vezes, o melhor a fazer é permitir que o selvagem seja selvagem", disse ele. “Ensinamos que há situações exigindo nossa intervenção, e outras que a dispensam.” / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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