Landon Nordeman para The New York Times
Landon Nordeman para The New York Times

Aos domingos, a salsa liberta os dançarinos de Manhattan

A festa Las Chicas Locas recebe de 300 a 400 pessoas semanalmente, em um lugar onde é possível dançar com qualquer um, desde um iniciante até um profissional quatro vezes campeão

Monica Castillo, The New York Times

27 de junho de 2018 | 10h15

Escondido dos olhares do mundo, quatro pisos abaixo, um mar de pessoas suadas - que requebram, rodam e se contorcem - transformam o estúdio de danças de salão, Dancesport, em uma das maiores exibições de salsa da cidade. Caminhando pela Rua 34, em Manhattan, nas noites de domingo, é possível ouvir os duelos dos trompetes e um insistente turbilhão de ritmos no ar.

Esta é Las Chicas Locas, a festa semanal da salsa que começa no fim da tarde de domingo - e só acaba na manhã da segunda-feira. De 300 a 400 pessoas costumam descer neste espaço obscuro - iluminado por uma mistura de luzes multicoloridas - para a festa que herdou o nome do restaurante hoje fechado, onde nasceu.

Há também salas menores para outras danças latino-americanas (como a bachata e a kizomba), mas a maior parte da festa se desenrola mais atrás, onde a temperatura da sala sobe com a multiplicação dos corpos.

“As pessoas podem entrar e dançar com qualquer um, um iniciante ou um dançarino quatro vezes campeão da Itália”, falou Kaleb Hughes, 40, um aluno do Nieves Latin Dance Studio, no Brooklyn, referindo-se a Las Chicas Locas.

Kelsey Burns, 26, que ensina no estúdio próximo de salsa, Piel Canela, disse que adora a criatividade da dança de salão no Las Chicas Locas. “Sempre saio daqui mais cheia de energia do que quando cheguei”.

Em geral, o que se vê em Las Chicas Locas é a salsa no estilo de Nova York, em que os pares começam no segundo tempo. (Alguns bailarinos de outras cidades podem entrar no primeiro tempo, e ocasionalmente a música muda para a bachata break.)

 

Ela explicou que a sensação de movimentos controlados da salsa de Nova York é o que a distingue dos outros tipos. “Ela não se espalha, é linear, super contida, um pouco mais acelerada”.

E acrescentou: “Cada dançarino tem seu próprio estilo e seu brilho próprio - é quando se separa do parceiro e fica improvisando por conta própria. É preciso dançar com ele por um segundo antes que o peguem de volta”.

Ela prosseguiu: “Conheço muitas pessoas pelas suas mãos, pelo corpo ou fisicamente, mas não sei o seu nome”.

O D.J. vai tocando enquanto os bailarinos rodopiam. Mas por volta das 11 horas da noite, para a música e diz para todo mundo para saírem da pista. Agora, é a vez do público, que aplaude quando os profissionais ou os estudantes saem dos bastidores para a sua apresentação.

Eles mudam de uma semana para a outra e variam em termos de estilo e níveis. Alguns são campeões que se exibem nas rotinas com as quais ganharam os prêmios. Todos são aplaudidos com entusiasmo pelo público.

“Dançando a salsa, a gente tem uma sensação de libertação”, afirmou Meagan Larkin, 33. “Como todos os que não foram criados na dança latina em casa, é realmente excitante aprendê-la e aprender a confiar no movimento”.

A dança da salsa se baseia na confiança e na expressão além da habilidade, e tudo isto estava no Las Chicas Locas.

“A salsa realmente nos liberta da nossa alma”, contou Talia Berger. “Dançando, consigo me sentir  eu mesma”.

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