Jacob Moscovitch para The New York Times
Jacob Moscovitch para The New York Times

Transporte por caminhão nos EUA ganha ajuda da tecnologia com novos aplicativos

Caminhoneiros têm maior controle sobre as suas rotas

Julie Weed, The New York Times

20 de setembro de 2019 | 06h00

Os caminhões movimentam cerca de 70% do transporte de cargas nos Estados Unidos, mas o setor é ineficiente, e mais de 25% dos veículos na estrada trafegam vazios.

O grande crescimento de uma série de empresas baseadas em aplicativos pretende mudar tudo isto. Uma das maiores, a Convoy, também trabalha para eliminar os trâmites burocráticos e agilizar os pedidos, os e-mails e os fax que são o castigo dos caminhoneiros em qualquer lugar.

A Convoy, sediada em Seattle, tinha 250 funcionários no ano passado, hoje tem 700. Em 2018, ela foi avaliada em mais de $1 bilhão.

O transporte de caminhão é um setor descentralizado, com mais de um milhão de companhias espalhadas pelos EUA, na grande maioria pequenas empresas, segundo as American Trucking Associations.

Silpa Paul, analista da empresa de pesquisa Frost and Sullivan, disse que os serviços sob demanda, como os da Convoy, são uma das “melhores tecnologias do setor de transportes rodoviários em todo o globo”.

Há centenas de milhares de empresas de transportes na América do Norte e cerca de 16 mil corretores, segundo Silpa.

Os caminhões costumam viajar vazios de 25% a 40% do tempo, ela afirmou. “Isto, combinado com longos períodos de ociosidade e outras ineficiências, aumenta o desperdício de combustível, a poluição e o trânsito desnecessários.

Tim Knaup, gerente da Steve Crawford Trucking no Missouri, disse que o aplicativo da Convoy reduziu o tempo gasto com telefonemas para gerir a captação e as entregas dos 12 caminhões da sua companhia.

Segundo Silpa Paul, serviços como os da Convoy deverão crescer rapidamente, passando de US$ 210 milhões em taxas de corretagem na América do Norte em 2017, para estimados US$ 6,7 bilhões em 2025.

Nos últimos sete anos, foram fundadas mais de 40 companhias neste setor, somente na América do Norte, como a Loadsmart e a Transfix, disse Silpa. As duas maiores recém-chegadas neste mercado são a Convoy e a Uber Freight, segundo Silpa, com um faturamento em 2018 estimado em US$ 300 milhões para a Convoy e US$ 500 milhões para a Uber.

O aplicativo de telefone da Convoy permite que os caminhoneiros estabeleçam os seus parâmetros: onde e quando eles querem pegar a estrada, e a carga que irão transportar. Quanto às expedidoras, elas podem informar os seus pedidos e encaminhá-los, em vez de telefonar a cada motorista.

Estes não poderão marcar uma corrida enquanto não concluírem a tarefa atual. É que o clima, o tempo gasto para descarregar e outros fatores fazem com que seja difícil prever a sua disponibilidade.

“Eles podem estar ao telefone enquanto o seu caminhão está sendo descarregado, à procura da viagem seguinte”, disse Dan Lewis, diretor executivo da Convoy.

As taxas de transporte costumam flutuar, dependendo do destino, da urgência, dos motoristas disponíveis, e de outros fatores. A Convoy estabelece automaticamente o preço da tarefa com base nestes dados e em seus próprios algoritmos, mas os caminhoneiros também podem oferecer-se para outra tarefa, se acharem o preço estabelecido baixo demais.

Um dos desafios é o lado pessoal do negócio. As transportadoras de cargas caras “não entregam simplesmente suas mercadorias a uma pessoa sem rosto, sem voz, em uma plataforma digital”, disse Silpa. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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