Tami Chappell/The New York Times
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Para a apneia do sono, um protetor de boca pode ser boa alternativa ao CPAP

Para as pessoas com apneia do sono que não toleram o ruído e o desconforto de uma máquina CPAP talvez sejam igualmente benéficos um protetor de boca ou uma cirurgia

Nicholas Bakalar/The New York Times-Life/Style, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2021 | 05h00

Muitas pessoas usam uma máquina CPAP à noite para tratar da interrupção da respiração provocada pela apneia obstrutiva do sono, um distúrbio que afeta ao que se calcula 22 milhões de americanos. Mas o CPAP pode ser barulhenta, volumosa e desconfortável, por isso muitos deixam de usá-la, o que poderá ter péssimas consequências a longo prazo.

O protetor de boca talvez seja mais confortável e uma alternativa fácil de usar, segundo um novo relatório. O estudo, publicado na revista Laryngoscope, analisou 347 pessoas com apneia do sono que experimentaram um protetor de boca colocado por um otorrinolaringologista. Dois terços dos pacientes relataram que se sentiram confortáveis usando o aparelho, que aparentemente é eficiente e ajuda a aliviar o problema da respiração da apneia do sono obstrutiva.

O principal autor do estudo, Guillaume Buiret, diretor da área de otorrinolaringologia do Hospital Valence, em Valence, na França, disse que se ele sofresse de apneia do sono, escolheria inicialmente um protetor oral.

“É fácil de tolerar, eficiente e custa muito menos do que o CPAP”, afirmou. “De 30 a 40% dos nossos pacientes não podem usar o CPAP, e quase sempre acham muito conveniente o aparelho dental. Eu o recomendaria como tratamento de primeira linha”.

O ronco barulhento talvez seja a consequência mais óbvia da apneia do sono, mas o distúrbio, se não tratado, pode levar a uma ampla série de complicações, como pressão alta, doença cardíaca, disfunção do fígado e diabetes Tipo 2.

O problema se desenvolve quando o tecido mole da parte posterior da garganta cai durante o sono, bloqueando as vias aéreas. Com isto, cessa a respiração por breves períodos, a pessoa ofega em busca de ar, tem dificuldade para dormir, além de todos os problemas relacionados à falta de sono no período diurno, desde mau desempenho no trabalho a acidentes fatais. Também os animais podem sofrer do distúrbio – buldogues, por exemplo, têm as vias aéreas estreitas e um palato mole que pode facilmente bloqueá-las. A sua apneia do sono é quase idêntica à versão humana.

A gravidade deste distúrbio varia amplamente de um problema leve que não precisa de tratamento, a grave ou mesmo a uma doença que pode ameaçar a vida da pessoa. Sara Benjamin, neurologista e especialista do sono na Johns Hopkins, disse que passar uma noite no laboratório do sono monitorado por um técnico é a melhor maneira de diagnosticar a apneia.

Um estudo de laboratório oferece a análise mais completa e pode detectar muitos outros problemas relativos ao sono além da apneia, mas existem kits de teste para fazer em casa, fáceis de usar e não muito caros. Eles testam o esforço da respiração e os níveis de oxigênio, mas não as ondas cerebrais, o tônus muscular e os movimentos das pernas que são gravados em um teste de laboratório.

Como é possível saber se uma pessoa precisa de uma avaliação do sono?

“A avaliação não é difícil, tanto em casa quanto em um laboratório do sono”, explicou Benjamin, “Se ela acha que os problemas do sono influem em suas atividades diárias, isto é o bastante para procurar uma avaliação. Se a causa é um problema de respiração ela não irá ignorá-la”.

Uma máquina CPAP – ou pressão positiva constante das vias aéreas – é em geral a primeira opção para o tratamento da apneia do sono. O aparelho tem um motor que solta ar pressurizado por meio de um tubo preso a uma máscara que cobre o nariz ou o nariz e a boca. Isto mantém a via aérea aberta.

Algumas máquinas podem mudar automaticamente a pressão para compensar as mudanças de posição durante o sono; outras exigem um ajuste manual. O capacete varia, mas todos têm correias ajustáveis para o ajuste correto. Há modelos mais novos que podem soltar ar aquecido ou umidificado, dependendo da preferência do paciente, e também há modelos pequenos para viagem.

Mas há pessoas para as quais nem o CPAP nem o dispositivo dental funcionam, ou porque elas não conseguem utilizá-los de maneira persistente ou correta, ou porque os dispositivos não resolvem o problema, mesmo quando usados adequadamente. Para estes pacientes há vários procedimentos cirúrgicos eficientes.

O mais comum é a cirurgia do tecido mole, que implica a modificação ou excisão do tecido na parte posterior da boca. Dependendo das estruturas e musculatura da boca, o cirurgião pode corrigir o palato mole e a úvula, retirar as amígdalas, encolher o tecido com um instrumento aquecido, estreitar um septo desviado ou alterar a posição dos músculos da língua, tudo isto com a finalidade de melhorar o fluxo de ar.

Há também cirurgias dos ossos que deslocam a mandíbula para frente para alargar todo o espaço da respiração, procedimento que pode envolver um prolongado período de recuperação.

Em 2014, a Administração da Alimentação e Medicamentos aprovou um dispositivo chamado Inspire Upper Airway Stimulation. Trata-se de um pequeno aparelho implantado sob a pele como um marca-passo. Usando dois condutores elétricos, ele sente o padrão da respiração e estimula o nervo que controla a língua para que ela saia do caminho permitindo a livre passagem do ar. Implantá-lo é um procedimento cirúrgico ambulatorial que leva duas horas aproximadamente.

“Ele não muda a anatomia, e a recuperação é mais fácil do que em outras cirurgias”, disse Maria Suurna, professora adjunta de otorrinolaringologia da Weill Cornell Medicine especialista em cirurgia para apneia do sono. “É eficaz, e apresenta a menor taxa de complicações de todas as cirurgias.

“Mas não é para qualquer um. É aprovada somente para adultos a partir dos 18 anos que não têm sobrepeso e que sofrem de apneia moderada a grave”. Algumas pessoas podem não estar aptas por causa da estrutura de sua anatomia. “A cirurgia é ardilosa, “disse Suurna. “Mas não existe um tratamento ideal para a apneia. Cada um tem seus prós e contras, benefícios e riscos”. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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