Rebecca Smeyne/The New York Times
Rebecca Smeyne/The New York Times

Após 12 anos, Chaka Khan lança novo álbum

'Hello Happiness' marca o início de uma nova era na carreira da Rainha do Funk

Melena Ryzik, The New York Times

07 de março de 2019 | 06h00

Faz 12 anos desde que Chaka Khan lançou um álbum de estúdio. "Mas não fiquei sentada sem fazer nada", disse recentemente a cantora conhecida como a Rainha do Funk. Nesse meio-tempo, ela fez várias turnês e gravou dois álbuns na surdina. O primeiro, Hello Happiness, saiu no mês passado e está repleto de faixas fortes, cheias de confiança, que não pareceriam deslocadas na linha do Soul Train. No segundo, Chaka convidou a cantora e compositora Sarah Ruba Taylor e o produtor Switch (M.I.A., Santigold), e foi também coprodutora, coautora das letras e percussionista.

Em uma entrevista por telefone de Chicago, sua cidade natal, onde estava gravando um programa de TV, a vigorosa voz de sucessos como "I'm Every Woman", explicou por que agora quer gravar de música dançante. "Hoje em dia, sou uma pessoa mais feliz", afirmou. "Toda a minha vida foi cheia de desafios e de problemas - e também fantástica, sacou? Posso ir e vir, como qualquer outra pessoa. Estou vivendo um bom momento agora". 

Aos 65 anos, Chaka - que costumava jogar basquete com seu grande amigo Prince - falou do recente período em reabilitação, que a levou a retomar sua carreira, e da razão pela qual não tem planos para se aposentar. "Ainda posso jogar basquete", afirmou.

Acompanhe, agora, alguns trechos da entrevista.

Por que esperou tanto tempo para lançar estas músicas?

Eu queria lançá-las bem e permanecer uma artista livre, não ficar cem anos amarrada a um grande selo. Era como trabalhar para alguém, ter um emprego - sem liberdade artística e sem ter direito de dizer o que penso. O que estou fazendo agora é muito diferente. É o que sempre quis fazer.

Foi uma revelação quando percebeu, "isso não é justo, eu mereço mais do que uma participação"?

Eu e Prince chegamos a esta conclusão mais ou menos na mesma época. Fizemos um CD juntos, intitulado Came 2 My House. Ambos estávamos com o mesmo selo, e eu não quis mais a alcunha de "escrava" na minha testa.

Em 2016, você anunciou que estava partindo para a reabilitação, por causa da morte de Prince. Seu problema eram os analgésicos que estava usando há muito tempo?

A coisa ia e voltava. Fiz uma cirurgia para substituição de algo no joelho, agravada pelas frequentes viagens de avião, pelas caminhadas e pelo trabalho. Parei de me automedicar. Estou boa.

Sua carreira cobre várias eras. Sente falta de alguma coisa de um período em particular?

Trabalhar nos anos 1980 com Arif Mardin (produtor), em Nova York, realmente fez minha vida acontecer. Sinto muita falta dele. Acho que a minha música dos anos 1980 foi a melhor. Trabalhei com Miles Davis, Dizzy Gillespie, Chick Corea - todos os grandes.

Você sente a mesma carga elétrica em suas apresentações, como no começo?

Não, a carga é diferente, mudou ao longo dos anos. Mas ainda fico nervosa antes de pisar no palco. Isso não mudou. Pode chamá-lo de pânico do palco. Sinto muita ansiedade todas as vezes que preciso trabalhar, e não consigo comer.

E como se sente quando sai do palco?

Sempre que faço um show particularmente bom, eu me perco, vou para algum outro lugar.

Você cresceu em uma família musical. Ser uma intérprete foi uma coisa que queria desde cedo?

Eu não me dava conta disso quando era mais jovem, mas era a minha vocação, mesmo então. Em casa todos cantávamos enquanto fazíamos a limpeza aos domingos, ouvindo Frank Sinatra e Sarah Vaughan. E eu achava que todos na família se sentiam assim. Só me dei conta de que eu tinha algo de que as pessoas realmente gostavam durante um programa de calouros, quando as pessoas jogaram dinheiro no palco depois da minha apresentação. Tinha cerca de 14 anos na época.

Como é o próximo álbum que você está preparando?

Neste momento, estou trabalhando em um projeto sobre Joni Mitchell, que é uma grande amiga. Tenho sua bênção. Estou fazendo as minhas músicas favoritas de Joni. Não seus sucessos. Quando estou no ônibus, sempre ponho Joni Mitchell. Ela me faz reviver, de uma maneira incrível - a música, as coisas que ela dizia, a filósofa que estava dentro dela. Ela é minha letrista preferida, minha cantora-autora. Nem lembro mais como nos conhecemos. Faz tempo.

Suas contemporâneas, como Anita Baker, estão dando shows de despedida. Você acha que sua carreira chegou a este ponto?

Nem sequer comecei a pensar nisso. Esta é a minha vida, é o motivo de eu estar neste planeta. Como poderia me aposentar? É isso que eu sou.

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