Linh Pham para The New York Times
Linh Pham para The New York Times

Após 50 anos no exílio, monge budista retorna ao Vietnã

Depois de meio século no exterior, influente professor está morando no mosteiro de Hue

Richard C. Paddock, The New York Times

23 de maio de 2019 | 06h00

HUE, VIETNÃ - O monge budista Thich Nhat Hanh, a quem foi negado por muito tempo o direito a regressar ao seu Vietnã, viveu no exterior por mais de 50 anos, fazendo campanha contra a guerra e ensinando a ‘mindfulness’ (estado mental de atenção plena). Martin Luther King o considerava um amigo e o recomendou para o prêmio Nobel da Paz. Anos mais tarde, os líderes das maiores empresas de tecnologia adotaram os ensinamentos do meste Zen. O presidente Barack Obama o citou em sua visita ao Vietnã em 2016.

Agora com 92 anos, sofrendo as sequelas de um grave derrame, Nhat Hanh voltou com toda a discrição à sua casa na cidade de Hue, no Vietnã central, para viver os dias que lhe restam no mosteiro onde foi noviço aos 16 anos. “Foi o governo sul-vietnamita que o exilou”, explicou irmã True Dedication, uma discípula monástica de Nhat Hanh e ex-jornalista da BBC. “Há muito tempo, o seu desejo era voltar”. Nhat Hanh se esforçou como todos para espalhar o conceito de 'mindfulness' pelo mundo.

Os seus ensinamentos foram adotados em lugares tão improváveis quanto o Vale do Silício, o Banco Mundial e o Exército dos Estados Unidos. Desde que regressou ao Templo de Tu Hieu no final de outubro, a presença de Nhat Hanh atraiu centenas de seguidores, que à vezes esperam durante dias para vê-lo rapidamente enquanto é conduzido em sua cadeira de rodas.

Nhat Hanh falava fluentemente sete línguas, mas o derrame em 2014 o deixou parcialmente paralisado e incapaz de falar. O governo vietnamita permitiu que ele visitasse o país em 2005, 39 anos depois de partir. Ele é uma das personalidades do Vietnã mais conhecidas e reverenciadas internacionalmente. Frequentemente ele é citado com Dalai Lama como os dois monges budistas mais influentes da era moderna.

Ao longo de sua vida no exílio, Nhat Hnah criou dez mosteiros e centros para a prática do budismo em meia dúzia de países, inclusive nos Estados Unidos, França e Tailândia. Escreveu mais de cem livros, que venderam milhões de exemplares somente nos Estados Unidos. 

Os seus seguidores são centenas de milhares. Muitos conhecem Nhat Hnah como o maior proponente da 'mindfulness', um estado mental concentrando a própria consciência no presente. Ele encorajou os budistas a melhorarem a vida dos marginalizados e a promoverem a paz. Nhat Hnah partiu do então Vietnã do Sul rumo aos Estados Unidos em 1960, onde ensinou religião nas Universidades Princeton e Columbia. Regressou em 1963 para assumir um papel de liderança no movimento budista contra a guerra que se travava no país.

Voltou aos Estados Unidos em 1966 e conheceu Luther King em Chicago, onde apareciam juntos. Enquanto ainda se encontrava lá, o Vietnã do Sul proibiu que ele retornasse. “Os nossos inimigos não são os homens”, ele escreveu King em 1966, mas “a intolerância, o fanatismo, a ditadura, a cobiça, o ódio e a discriminação que estão no coração do homem”. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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