June Canedo / The New York Times
June Canedo / The New York Times

Após assinar hits de Ariana Grande, Taylor Parks lança álbum próprio

A compositora, que relata dificuldades por ser mulher negra na indústria da música, também trabalhou com nomes de peso, como Sam Smith e Dua Lipa

Joe Coscarelli, The New York Times

15 de maio de 2019 | 06h00

Há 15 semanas, desde o fim do ano, o primeiro lugar dos singles na Billboard é sempre de um dos mega-sucessos de Ariana Grande - Thank U, Next” e 7 Rings -  aquela impetuosidade e o jeito de coquete de uma diva pop, com ritmos e cadências do hip-hop. Esta fórmula vencedora remonta, talvez, à recente história do pop em escala global: há elementos do som em uma trilha K-pop do grupo feminino Red Velvet (coreano) de 2015 para cá; um beijo de adeus da cantora Jojo, de 2016; um single de Fifth Harmony de 2017; e um número de Christina Aguilera indicado ao Grammy do ano passado.

A ligação se deu  por meio da compositora Taylor Parks, efervescente ex-atriz infantil de 25 anos, com um vistoso cabelo tingido e um ar traquina benevolente, que tem os créditos em ambos. Conhecida na indústria como compositora de sucesso, Taylor, que se apresenta como Tayla Parx, contribui com ideias melódicas e letras para os trabalhos de alguns dos maiores artistas do mundo. Nos últimos anos, ela fez isto discretamente, seguindo uma meticulosa estratégia, contudo contida na música popular em uma busca pessoal para chegar ao single Número 1 nas bilheterias em todos os gêneros.

“Só tenho alguns meses”, disse Taylor recentemente, enquanto dava os toques finais ao seu álbum de estreia. “Preciso de um país, preciso de um gospel, e preciso de um hip-hop”. Ela decidiu abordar o pop latino em 2016 e Nashville já estava na sua mira, brincou, depois do recente interesse manifestado por Kacey Musgraves e Keith Urban.

Taylor apareceu nos créditos como coautora em metade do álbum de sucesso de Ariana Grande, Thank U, Next. Para Taylor, a estreia funcionou como trampolim que a lançou de compositora aplicada para uma presença nos principais estúdios e, teoricamente, como uma viável artista de solos. “Em geral, os compositores não conseguem tornar-se artistas do mesmo porte de quando eram compositores”, afirmou Richie Kipp, um dos agentes de Taylor. “Mas eu nunca vi ninguém ligado como Tayla”.

Texana protegida da atriz Debbie Allen, Taylor mudou-se com a família para Los Angeles - a mãe trabalhava com softwares e o pai, na área de subscrição de hipotecas - a fim de montar uma atividade no show business. Ela foi a personagem da pequena Inez Stubbs na adaptação cinematográfica de Hairspray - Em busca da Fama, antes de conseguir algumas participações menores na televisão, inclusive em um programa da Nickelodeon, onde encontrou Ariana Grade.

Embora elas mantivessem um contato intermitente no AOL Instante Messenger - e Taylor ajudasse a escrever a trilha título do segundo álbum de Ariana, My Everything, em 2014 - as duas só voltaram a se encontrar pessoalmente para fazer Thank U, Next, no fim do ano passado.

No meio tempo, Taylor gravou com Babyface, contribuiu para um hino ao divórcio de Mariah Carey enquanto ainda adolescente e tornou-se a voz em videogames como The Sims e The Walking Dead. Agora, Taylor tenta contrabalançar as sessões em estúdio para artistas em busca de sucesso como Sam Smith, Haim e Dua Lipa, com a contratação de cantores e produtores para ela mesma; vai a testes de interpretação, trabalha em um roteiro para um filme de animação, cria uma marca de roupas e promove seu lançamento para a Atlantic Records, We Need to Talk

O novo álbum é um pop alegre, que mescla pop, R&B e elementos de rap com muitas notas altas do tipo de Ariana Grande.“Quase enlouqueci”, afirmou. “Realmente, precisei fazer malabarismos. Em primeiro lugar, por ser negra, e depois ao me tornar uma mulher, e então sendo uma jovem mulher negra. Mas conseguimos dar conta das dificuldades”. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

 

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